Cinemusas V - Jacqueline Bisset
Imagine a ironia da situação: uma mulher abandona o marido e, no Dia de Finados, retorna ao lar, toda florzô, querendo fazer renascer o casamento. Pois foi protagonizando essa ironia que vi, pela primeira vez, numa tela grande, a beleza refulgente de Jacqueline Bisset, no papel de Yvonne Firmin, a esposa que, ao separar-se do marido, ex-cônsul inglês, tornou-o um alcoolista à beira do abismo. No lugar dele, eu também me tornaria. Aliás, que homem não se entregaria às bebedeiras por uma mulher como esta?

O filme em questão é À Sombra do Vulcão, de John Huston, baseado no livraço de Malcolm Lowry, mas se há alguma coisa pegando fogo na película não é exatamente uma montanha. Pois bem, piadas ruins à parte, vou o que interessa: apesar do nome, ela não é francesa - mas inglesa. Começou bem: logo após fazer uns trabalhos como modelo, e fazer um pequeno (e primeiro) papel em Cul-de-Sac (como Jackie Bisset, nos créditos), de Polanski, e em Casino Royale, de vários diretores, foi contracenar com o astro da época, Steve McQueen, no ótimo Bullitt, de Peter Yates, mas a fama veio cinco anos depois, ao estrelar um dos melhores exercícios metalingüísticos do cinema, o preimiado A Noite Americana, de Truffaut, em que o próprio contracena com ela num set confuso habitado por atores egocêntricos. É uma aula de cinema literalmente: desde os improvisos até as tomadas em flash-back. Truffaut homenageia o cinema e, com Bisset no elenco, homenageia a beleza.

No mesmo ano de 1973, ao lado de Jean Paul Belmondo, Jacqueline Bisset rodou O Magnífico, de Philippe de Broca, uma produção B muito divertida, em que a literatura e o cinema dialogam de forma debochada e mortal. Belmondo é um escritor que sai aniquilando seus personagens. De vez em quando esse filme roda as madrugadas da tevê, mas é preciso sorte para vê-lo e mais sorte ainda para deparar com Jacqueline Bisset na totalidade de sua luz.
Tudo bem, ela trabalhou em insignificâncias como Aeroporto e Orquídea Selvagem, mas o que dizer de sua aparição em O Fundo do Mar, de camisa colada ao corpo molhado, e que fez muito marmanjo - eu incluído - retornar ao cinema algumas vezes? Ou dividindo a cena com outra belezura chamada Candice Bergen, em Ricas e Famosas, um filme simplório - mas interessante - sobre altos e baixos de um relacionamento feminino baseado na amizade e na inveja?

Vale conferir. E, se você prefere as louras, avalie bem, porque Jacqueline Bisset tem uma beleza capaz de eclipsar até mesmo Candice. E olhe que isso, nos anos 70 e início dos 80, era quase impossível. Nos últimos tempos, Bisset tem feito trabalhos para a tevê e teria aparecido como madrinha de Angelina Jolie em Mr. and Mrs. Smith, mas, sabe-se lá por quê, as cenas não foram ao ar. Eu, por exemplo, acho que, sem Jacqueline Bisset, não há por que ver o filme da bocuda.



outubro 3rd, 2007 às 4:15
Em The Deep ela está bela, mas não é uma atriz relevante nem para o cinema francês, que teve Deneuve como sua musa principal. Mas o texto está bem legal (perdoe a rima…rsrsrs)
Que tal um post sobre Catherine Deneuve, Senhor Grijó?
Vlw
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outubro 3rd, 2007 às 17:14
Francesco,
É inexorável minha resposta como representante de uma juventude desses anos 2000, em favor da Anja Jolie.
Jacqueline Bisset foi uma coisa maravilhosa que aconteceu! Mas viver só de passado também é coisa pra museu - com o perdão à rima(?!).
:0)
Vide:
http://www1.fotolog.com/kikuiu/11092004
Um grande abraço, sem trocadalhos do carilho.
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outubro 3rd, 2007 às 18:17
Jolie é bonita, sem dúvidas, mas pára por aí. Faltam-lhe quadris e uma boca menos proporcionada. Os lábios parecem ter a mesma textura de fígado de galinha. E fica sempre com a boca semi-aberta como se quisesse dizer algo. Diz, então, minha filha!!
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outubro 3rd, 2007 às 18:47
Lindíssima, aos 29 anos ilumina a tela quando aparece em A Noite Americana.
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outubro 4th, 2007 às 23:37
Olá professor, como vai?
Só conheci Jacqueline Bisset através do filme Jesus, onde ela interpreta a Virgem Maria.
Bisset realmente era bonita.
Acho que ela é uma grande atriz, e olhe que só consegui vê-la atuando nesse filme Jesus e achei fantástica a interpretação dela.
Sem dúvida a melhor Virgem Maria do cinema, com todo respeito é claro. Já que agora conheço mais trabalhos dela, vou conferir aqueles que eu puder!
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outubro 8th, 2007 às 17:03
Esplêndida!!!
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outubro 10th, 2007 às 0:09
Se em Mr. and Mrs. Smith a Jacqueline Bisset aparecesse, o filme seria bom em pelo menos uma cena.
Ela não apareceu mesmo é para não denegrir a imagem de Jolie: um aglomerado de exageros que raramente aparece em algo que pode ser nomeado como Cinema.
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