O melhor do jazz #7: os grandes temas

Um grande tema é imortalizado pela história. Um grande tema de jazz é imortalizado pelas performances que os grandes nomes do gênero impuseram a uma determinada canção ou música. Algumas ficaram para sempre, no panteão da Música com agá maiúsculo, juntando no mesmo balaio tudo o que se produziu. Cada um, evidentemente, tem uma música favorita, independentemente do gênero. No jazz, à parte aquilo que os críticos chamam de canônico, resolvi fazer minha lista. A subjetividade falou alto. Sempre fala.

Take Five: minha gravação preferida reúne o pai do tema, Paul Desmond, e o líder do quarteto que a imortalizou, Dave Brubeck.  Para quem não sabe, o título refere-se ao compasso 5/4, pouco usado no jazz. A gravação que escolho traz o enormíssimo sax barítono Gerry Mulligan, o contrabaixista Jack Six e o extraordinário baterista Alan Dawson (veja do que ele é capaz a partir de 9:39 de música). Claro que há quem prefira Joe Morello, um dos melhores de todos os tempos, mas Dawson tem seu lugar. Eis a gravação:

Round Midnight é provavelmente o tema mais conhecido do jazz. Já foi gravada por grandes músicos e grandes cantoras (Cassandra Wilson, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Amy Winehouse, Betty Carter, Sarah Vaughan e mais um arsenal de vozes potentes). Pianistas como Keith Jarret, Bud Powell, Michel Legrand, Billy Taylor e o incomparável Bill Evans já se aventuraram nos acordes dessa maravilha sonora. A gravação escolhida é realizada com o pai do tema, Thelonious Monk, em companhia de Dizzy Gillespie (trompete), Kai Winding(trombone), Sonny Stitt(sax tenor), Al McKibbon(baixo) e Art Blakey(bateria). Aproveite!

Caravan ficou famosa entre a garotada por conta do ótimo filme Wiplash, de Damien Chazelle. Art Blakey e seus mensageiros do jazz, entretanto, já haviam transformado o tema de Duke Ellington em algo supremo. Devo dizer, apenas como registro, que este disco abaixo foi o meu primeiro cedê de jazz, comprado em 1990. O disco todo é bom, mas a gravação de Caravan conta com o trompete espetacular de Freddie Hubbard, com Wayne Shorter no sax tenor, Cedar Walton no piano e um dos meus baixistas preferidos, Reggie Workman. Outro registro: a gravação é do ano em que nasci.

Ishan Jones era um sujeito um tanto inexpressivo no jazz – até compor a melodia de There is no Greater Love. Quando Marty Simes adicionou a letra, o tema se tornou um sucesso estrondoso, um clássico. A gravação que escolhi traz dois gigantes do sax tenor: Gene Ammons e Sonny Stitt. O sopro musculoso de Ammons encontra a sutileza dos solos de Stitt. É uma maravilha, temperada pelo ótimo John Houston, no piano; Buster Williams no baixo, e contando com a bateria sempre competente de George Brown. Gravação de 1961, mas a canção é bem mais velha: 1936. Só para constar: há uma citação brasileira no meio da música.

Bem, Miles Davis dizia que aprendeu a tocar baladas escutando Coleman Hawkins. Body & Soul, executada por Coleman Hawkins, era uma de suas músicas favoritas. Minha também, principalmente esta gravação de 1939, como Gene Rodgers, no piano, e o professor William Smith, no baixo, famosos justamente por estarem nessa gravação histórica. Para mim, um dos momentos altos do jazz em todos os tempos.

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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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