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O filme Pelé Eterno levou 300 mil brasileiros aos cinemas - um fiasco compensado pela venda do devedê, quase cinco vezes mais. A película foi sucesso em Londres, Paris, NY, locais que aprenderam a ver Pelé como aquilo que ele realmente é: o maior de todos os jogadores de futebol. O brasileiro contraria: diz que Garrincha foi melhor, insiste em julgar o craque por aquilo que ele faz fora dos campos. Pelé é, de fato, o que temos de insuperável.

 Mas por que falo em Pelé? Para chegar a Maradona, outro deus da bola, cuja vida foi também transformada em filme e que, quando chegar aos cinemas brasileiros, deve captar público em número semelhante a de um blockbuster norte-americano. Acredito saber por quê: o brasileiro identifica-se com a “humanidade” do esportista. Gosta de saber que ele é capaz de falhar, que está submetido a mazelas, que cede a tentações - em suma: sente-o mais próximo, e isso facilita, claro, a simpatia e, por conseguinte, gera a preferência. Claro que há os críticos racionais, capazes de ver o óbvio: Pelé foi maior, mas é bom moço, é “certinho” demais. Sim, claro: ninguém pode negar que ele foi a melhor coisa que o futebol produziu.

Document+maradona

De volta ao argentino (de quem sou fã): o cineasta Emir Kusturika, diretor do ótimo Underground, e do irregular Prometa-me, resolveu que deveria imortalizar Maradona, conectando sua imagem não somente ao futebol mas também à política, deixando - naturalmente - de lado as arruaças por conta de excessos ligados à química. Mas, em pelo menos um ponto, o documentário sobre Pelé é mais competente: mostram-se os goals, as grandes jogadas, os times em que o brasileiro jogou, as mulheres com quem se envolveu, as homenagens pelo mundo. É assim que se faz documentário: documenta-se. Nesse ponto Kusturika falhou. Diego Maradona não é fielmente documentado como futebolista, mas como personagem capaz de despertar paixões - como tantos outros por aí, seja em Nápoles, seja em Buenos Aires, onde, diferentemente de Pelé, aproxima-se do povo.