Cartola completaria 100 anos, se vivo estivesse. E não está? Bem, para todos que amam o bom samba (o verdadeiro, não essa bobajada de pagode-mauricinho empertigado), ele continua entre os mais vivos que nunca, feito em carne, osso e música. Uma dica? Vou logo antecipando: além de ver essas fotos abaixo, dê uma checada no documentário Cartola - Música para os Olhos, de Hilton Lacerda e Lírio Ferreira (o roteiro também é da dupla). É através desse filme que é possível compreender como um homem cheio de oportunidades para tornar-se anônimo transformou-se num símbolo da música brasileira. Sua vida resume o samba, assim como as vidas de, por exemplo, Roberto Silva, Cyro Monteiro e Noel Rosa.

Escrevo e ouço o disco Cartola - Bate Outra Vez, uma coletânea de composições interpretadas por gente variada: de Beth Carvalho (O Sol Nascerá) a Ivone Lara (Tive Sim), passando por Cazuza (O Mundo é um Moinho), Caetano Veloso (Acontece), Paulinho da Viola & Elton Medeiros (Amor Proibido), Luiz Melodia (Cordas de Aço) e outros menos cotados. Ah, claro: e Peito Vazio, na espetacular voz de Nelson Gonçalves. É um tributo lançado em 1988. Se houvesse justiça neste país, o tributo a Cartola seria eterno.

Quer mais? Uma outra pérola-tributo: Leny Andrade - Cartola 80 Anos, num disco de 1987, com a melhor gravação de conheço de O Mundo é um Moinho. Mas há composições para todos os (bons) gostos. Não Quero mais amar a Ninguém, Festa da Vinda, Amor Proibido, Corra e olhe o Céu. É de chorar, no bom sentido. A propósito: há alguém, hoje, no Brasil - entre homens, mulheres e crianças -, que cante melhor que Leny Andrade?

Clique aqui para ouvir Alvorada. Clique aqui para ouvir Peito Vazio. Clique aqui para ouvir Nós Dois.