Miúcha, Heloísa, 80

Imagem relacionadaVocê já ouviu falar em Heloísa Maria Buarque de Holanda? Da família famosa, sem dúvidas. Tem pelo menos dois ilustríssimos, pai e filho: Sérgio e Francisco. A moça em questão é filha de um e irmã de outro – e atende pelo apelido de Miúcha. Sim, a mesma que foi casada com João Gilberto e que, a partir dessa união, deu à luz uma filha chamada Isabel, dita Bebel Gilberto, cantora. Seu tropismo para a música é algo óbvio e, justamente por isso, escrevo sobre ela que, hoje, dia 30, completa 80 anos. Alguns de seus discos (ou de suas participações em discos) são memoráveis. Um deles está AQUI, ao lado de Tom Jobim, querido amigo.

A bem da verdade, ela fez um outro disco com o maestro – não tão bem sucedido quanto o anterior, mas ainda assim melhor do que a maioria dos duetos que vieram depois desse. Miúcha é subestimada. Foi acusada de escalar montanhas nas costas do irmão e do ex-marido, ambos famosíssimos. Injustiça abissal. Tudo bem que a voz não tinha o alcance de uma Gal Costa, de uma Leny Andrade, de uma Elis, de uma Elizeth. Mas é uma voz afinada, charmosa, elegante e, se me permitem uma sinestesia, levíssima ao tato. Miúcha canta bem.

Miúcha teve uma grande vantagem: aqueles que a cercavam alimentaram seu repertório com o que havia de mais nutritivo: a MPB mais pura, o samba-canção mais refinado, a Bossa Nova reluzente. Fez o que quis, mesmo com a voz limitada. A foto acima, em companhia do citado Tom, e da dupla Toquinho-Vinícius, é o registro de um dos melhores discos de MPB ao vivo que conheço. Gravado ao vivo no legendário Canecão, casa carioca, reuniu os 4 amigos inseparáveis. No ano em que ela completa 80 anos, esse disco completa 40. Se você não conhece, AQUI está.

Resultado de imagem para disco miucha 1988Miúcha tem poucos discos solo. O melhor deles, disparado, é o de 1988, cujo título é seu próprio nome. O repertório? Do cubano Pablo Milanés (que canta com ela na faixa inicial) ao norte-americano Duke Ellington, passando por Guinga, Jards Macalé, Caetano Veloso, Paulo Cesar Pinheiro, Vinícius de Moraes e Mutinho. Em Saudosismo, de Caetano, a filha Bebel Gilberto inicia a carreira. Vale ouvir e reouvir essa cantora que, mesmo não pertencendo ao grupo seletíssimo de intérpretes brasileiras, tornou-se, com o tempo, uma voz essencial. O disco inteiro está AQUI. Soube que há um disco ao vivo dela, no Paço Imperial, uma relíquia que não conheço (ainda). De qualquer forma, já me bastam aqueles que possuo, e que ouvirei hoje, em homenagem a quem merece.

Parabéns, Heloísa!

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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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