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Bach, Brandenburgo

Hoje, dia 21 de março, é dia de Bach – ou melhor, há 334 anos, nascia uma das maiores – senão a maior – personalidades artísticas de todas as épocas: Johann Sebastian Bach. Para mim, maior que Shakespeare, Cervantes, Michelangelo, Dante, Nijinsky, Rembrandt. Sim, é bobagem comparar, mas diverte. Em homenagem ao Kantor, aí vai o que, para muitos, é sua maior obra: os Concertos de Brandenburgo, escritas em 1721 para o Margrave de Brandenburgo, que, segundo consta, sequer agradeceu a generosidade. Não sei, mas deve ser o som celestial, aquele que se ouvirá ao lado do Criador. É música criativa, contrapontística – barroca em sua essência -, viva e alegre, multi-instrumental. Extraordinária, resumindo.

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Ginastera, o Grande

Recebi um mail de um leitor deste blogue. Um dos seis ou sete. Reclamou que tenho dado pouca atenção a “um espaço tão criativo”. As aspas existem porque são palavras dele; não minhas, embora eu as tenha recebido de ouvidos, olhos e braços abertos. Tenho tido pouco tempo, e também pouco assunto que a mim interesse expor neste espaço. Hoje pela manhã, ao contrário, veio-me o desejo incontido de escrever sobre Alberto Ginastera, o grande compositor argentino. Mais do que grande – enormíssimo. Provavelmente o maior de todos, embora seja bem menos conhecido que Piazzolla, por exemplo. É natural. Tom Jobim, genial, é mais conhecido que nosso maior compositor, Villa-Lobos. Mas quero falar de Ginastera, este senhor aí abaixo, com o gato.

Ouvi, pela manhã, toda a sua produção para piano e violoncelo, através do norte-americano Mark Kosower, no cello, e da coreana Jee-Won Oh, uma pianista de primeira. Não é música fácil, melodiosa, que nos faz assobiar quando dela lembramos. Sendo Ginastera um compositor formado no século XX, não fugiu aos arroubos modernos e às rupturas tão necessárias quanto costumeiras. Talvez aí resida a dificuldade em tornar-se popular aos ouvidos menos exigentes. Foi um nacionalista que soube criar além do que se propunha: beber na fonte do folclore nativo, da cultura doméstica. É querido por muitos intérpretes internacionais justamente por isso.

Resultado de imagem para ginastera naxosHá quem queira comparar Alberto Ginastera com Heitor Villa-Lobos. Não entro nessa. Tinham visões de mundo diferentes – e concebiam sua arte também de forma distinta. Ginastera era um obsessivo, um preciosista. Villa era mais displicente. Um gênio absoluto, que abominava revisar a própria obra antes de publicá-la. Paro por aqui. O disco em questão, cuja capa está aí ao lado, traz doze faixas. Atenção especialíssima para Cinco Canciones Populares Argentinas: um primor, acentuado pela habilidade sem equívocos dos dois músicos, excepcionalmente bem sintonizados. O Gato, por exemplo, é de aplaudir durante meia hora, sem intervalos. E olhe que tem pouco mais de 2 minutos de duração. Ah, você se curvará diante de Wayno Karnavalito, uma homenagem ao maestro suíço Paul Sacher.

Ginastera fez bonito. Tem muita coisa de valor: em particular Popol Vuh – A criação do mundo vista pelos maias. Uma obra-prima sem rivais ou paralelos na América Latina. Vale conferir AQUI. Essa mesma gravadora, com sede em Hong Kong, traz até nós quase toda a obra do argentino, de modo que está acessível a quem se interessar. Alberto Ginastera vale a pena. AQUI, o Concerto para Violino e Orquestra, que veio ao mundo exatamente no dia em que completei 1 ano de vida.

 

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Bernstein aos 99

Outra anedota do mundo da música clássica. Leonard Bernstein, o maestro norte-americano, foi ao Konzerthaus Berlin assistir à regência da Quinta de Beethoven, por Herbert von Karajan, que regia a Filarmônica de Berlim. Após o espetáculo, grandioso e essencial, os dois maestros se encontram. Os gigantescos egos de ambos eram notórios, comentados por todos aqueles com quem trabalharam. Karajan, aplaudidíssimo e cheio de pompa depois de uma regência impecável, volta-se para Bernstein e afirma: “Leo, hoje, a orquestra foi praticamente regida por Deus!” Leonard, não menos vaidoso, devolveu-lhe: “Por mim?”

A anedota explica bem a postura de Leonard Bernstein diante do mundo – uma postura altiva, autossuficiente, plena de segurança. Morreu num dia 25 de agosto, aos 72 anos – dos quais 50 foram dedicados a fazer da música algo maiúsculo, essencial. É evidente que muitos, antes dele, fizeram isso com e para a música, mas quem, com tanta paradoxal generosidade? Seus ensinamentos, sua lógica musical e sua dedicação à arte foram elementos definidores para aqueles que o seguiram, sejam discípulos fiéis ou admiradores contumazes. E por que não dizer que ele foi generoso também com a Filarmônica de Nova Iorque – antes dele sempre posta em segundo plano, atrás de orquestras como as de Boston ou Chicago?

Foi Leonard Bernstein que elevou os ânimos, deu à orquestra uma nova face, um dinamismo ainda não empenhado no grupo. E há quem diga que essa transformação foi rápida, algo incomum para o métier. A generosidade, entretanto, não para aí. Talvez a grande contribuição do maestro tenha sido na seara da educação. Usando o meio televisivo, muito eficaz e rápido, deu vida a projetos como Omnibus, New York Philharmonic Young People’s Concerts e Leonard Bernstein presents…, programas que tinham como objetivo estimular ainda mais aqueles que se dispunham a ouvir. Aos interessados, era um poço sem fundo de prazer e conhecimento. Aos que desconheciam a música, uma oportunidade para sair da escuridão.

AQUI, AQUI e AQUI você testemunha o trabalho desse senhor – um educador.

P. S. Já ouvi a anedota do início da postagem com os mesmos personagens, mas em papeis trocados.

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P. Q. P. Bach, um site

Há uma anedota que se mantém durante algumas gerações de interessados em música erudita (ou clássica). Seguinte: Beethoven , o Grande, morre e, evidentemente, vai para o céu. Lá, diante de São Pedro, o Porteiro Celestial, o velho Ludwig lhe pergunta sobre Bach, Johann Sebastian, esse mesmo, o mais importante compositor da música. São Pedro, num dia de maus fígados, diz-lhe, um tanto rabugento, para procurar por si mesmo. Beethoven perscruta o céu durante horas, procura o Mestre em cada canto, em cada alameda, escadaria, rua, estabelecimento. Não encontra. Pronto para desistir, enxerga, ao longe, J. S. Bach, a quem tanto queria conhecer, montando serelepe uma bicicleta, rindo como um livre e leve pré-adolescente despreocupado. Beethoven, emocionado, aos pulos, grita a São Pedro: “Veja! Lá está Bach! Achei-o, achei-o!” O Porteiro, entretanto, adverte-o: “Fique quieto, rapaz, ssshhhh! Aquele é Deus! O problema é que Ele pensa que é Bach!”

Pois bem, a anedota não é ruim, penso eu, e denota bem a importância do velho Kantor, a maior personalidade da Arte. Não, não vou repetir o que já se disse – e ainda se diz e muito se dirá – sobre esse senhor que, ontem, fez 267 anos de morto. Na verdade, essa postagem vai além disso. É uma divulgação dirigida a quem aprecia música erudita. Ou clássica, como querem muitos. Não sei se algum de meus poucos leitores têm interesse no assunto. Se têm, aí vai a grande dica: NESTE SITE é possível ter contato com a excelente música – sem contar as postagens, carregadas de ironia e informação precisa, fundamental. O próprio nome do site já é um achado. Frequento-o faz alguns anos. Vale checar. Divirtam-se!