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Norman Lindsay: imagens, tesão, delírio

Você conhece Norman Alfred William Lindsay – ou simplesmente Norman Lindsay? Não? Pois ele é o autor de O Pudim Mágico, um conto clássico da literatura australiana, no qual um pudim dotado de pernas e braços sempre se refaz quando comido. É protegido, quando ameaçado, por 3 amigos: um pinguim, uma koala e um marinheiro. Foi publicado há exatamente 100 anos, e continua divertindo. Há uma animação que nele se baseia, com o extraordinário John Cleese no papel principal: o do pudim. AQUI, o trailler. Mas não é sobre isso que quero falar – e sim sobre seu autor e os desenhos e pinturas que ele produziu. Sim, Norman Lindsay era um pintor de primeira, além de desenhista, escritor, escultor, gravurista, editor, ilustrador. Nas horas vagas, lutava boxe. Eis do que ele era capaz, numa pintura a óleo de 1919:

Norman Lindsay viveu 90 anos, e dedicou boa parte de sua arte à transgressão. A despeito de qualquer tipo de censura ou contrariando normas estabelecidas pela moral, criou situações em que o lúgubre, o fantástico e o sexo se misturavam a uma atmosfera de deleite pervertido. Não, não encare a palavra pervertido como algo condenável. A perversão, aqui, é absolutamente necessária à obra de arte. Ainda bem! O quadro abaixo, intitulado Bacchanalian Revels, de 1940, dá o tom de como se cria beleza a partir da amoralidade. É sempre bom saber que a arte se presta esse papel.

Acima, Début, de 1920, uma referência indireta à nova ordem que se instaurava na Europa – e por que não dizer, no Ocidente? O pequeno sátiro endiabrado levando pela mão a jovem virgem a um destino cruel e pernicioso. Lindsay sabia o que pintava e nunca se opôs a interpretações políticas de seus quadros, embora negasse qualquer intenção que não fosse o próprio prazer de pintar. Abaixo, uma pintura de 1940: Incantation. Poucos pintores retrataram a nudez tão gravemente. Pode checar na pintura logo após: Love on Earth, de 1940: tesão, medo, felicidade, Inferno e Paraíso.

A Canção do Fauno, de 1921, acima, foi a pintura que me fez buscar a obra de Norman Lindsay. Um amigo me apresentou, afirmando que queria aquele tipo de ilustração na capa de um de seus livros. Um espetáculo sensorial, movimentado, visual, quase sonoro. Talvez essa tenha sido a intenção do artista. Abaixo, The Challenge, uma obra-prima sem data e sem homens. O desafio é a exposição da nudez e o confronto entre belezas de cores de pele distintas. Outro espetáculo visual.

The Invitation e Os Piratas são duas pérolas do erotismo. Em ambas as telas o confronto entre a masculinidade opressora e a potência sedutora de feminilidade. Esse tema é recorrente tanto nas pinturas de Norman Lindsay quanto em sua literatura. É o caso de seu romance Redheap, livro banido da comunidade intelectual australiana por quase 30 anos. Amor lascivo, tesão aberto, perversões. O que há de tão errado nisso hoje em dia? Há 50 anos se dizia que havia. Se você não conhece a literatura de Norman Lindsay, não se acanhe. Aproveite as imagens.

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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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