Cyro, Elizeth, Chico (Fla-Flu)

Eu não conhecia Cyro Monteiro até Chico Buarque de Holanda me apresentar. Comigo foi quase sempre assim: uma referência faz brotar um punhado de outras. Chico me levou a Caetano, a Gil. Ambos me levaram ao Tropicalismo – que me levou a Gal Costa, a Torquato Neto e a Capinam; este último me fez conhecer Edu Lobo, que expôs Vinicius, Baden e Elis Regina a mim. E assim por diante, numa cadeia infinita de grandes nomes da música brasileira. Mas volto a Cyro Monteiro, que morreu num 13 de julho, há 45 anos. Não há muita coisa disponível dele, em cedê. Tenho o que todos que o apreciam têm: o disco da série Aplauso, uma compilação feita pela BMG há uns vinte anos. Não é suficiente, mas traz Se Acaso Você Chegasse, Falsa Baiana, Rugas, Pisei num Despacho e Apresenta-me Àquela Mulher. Só isso já basta para colocá-lo no panteão dos ótimos intérpretes. Em vinil, tenho Sr. Samba e o volume 2 de A Bossa Eterna de Elizeth e Cyro.

Certo, certo: pouca gente aprecia essas gravações antigas desses intérpretes (para muitos) obscuros. Sei disso. Há gravações mais nítidas, mais audíveis a ouvidos desacostumados: é o caso desse medley abaixo, acompanhado pela maior cantora brasileira, Elizeth Cardoso. Essa gravação, de 1969, é a junção de grandes sambas: Nega do cabelo duro, Ando cheio de conversa, Cansei de Pedir, Ta-hi (Taí), Não quero mais amar a ninguém, Se a saudade me apertar, Adeus Batucada e Arrasta a Sandália. E aproveite para ouvir Tem de Rebolar. Uma maravilha contida no disco mencionado da dupla! Observe que na foto Cyro se faz acompanhar por seu instrumento inseparável: uma caixinha de fósforos, com a qual fazia a percussão.

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Há uma história sensacional envolvendo Cyro Monteiro e o compositor carioca Chico Buarque: Cyro era flamenguista feroz; Chico, um tricolor voraz. Quando a primeira filha de Chico e Marieta Severo nasceu, Cyro enviou a ela, à pequena Sílvia, uma camisa do Flamengo. Chico respondeu a provocação da forma mais conveniente e bem-humorada possível: escreveu um samba, cujo título é Ilmo. Sr. Cyro Monteiro ou Receita para virar casaca de neném. Eis a letra (para mim, obra-prima):

Se quiser ouvir com a melodia, cantada pelo homenageado, CLIQUE AQUI.
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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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