Bem vivo aos 76

Dia desses me perguntaram sobre qual o melhor disco que rock que conheço. A pergunta é fácil; difícil é a resposta, já que o rock, abrangente em suas modalidades e em número de bandas e gravações, dificulta qualquer tipo de julgamento. Isso, claro, é uma visão pessoal. Creio que alguns de meus 6 ou 7 leitores tenham suas preferências já fossilizadas, trazidas da adolescência – que é quando o rock nos encanta, nos toma por inteiro. Creio que já ter dito isso numa outra postagem. Mas não fujo do desafio: para mim, Abbey Road, dos Beatles, e Electric Ladyland, de Jimi Hendrix, são o que há de melhor. Sei que alguns vão torcer o nariz: Abbey Road, disco de rock? Não é?

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Nunca fui íntimo do heavy metal. Alguma coisa do hard rock me agrada, em especial Led Zeppelin, Queen e Aerosmith. O disco ao vivo do Deep Purple no Japão também. Coisa séria, que um adulto pode consumir sem correr o risco de voltar no tempo e sentir-se com 14 anos. O rock progressivo, ao contrário, sempre me foi caro: Pink Floyd, King Crimsom, Yes, Jethro Tull e Frank Zappa, cujo disco One Size Fits All, de 1975, foi-me apresentado no meu aniversário de 16 anos, em 1978. Comecei a jornada pelo progressivo a partir daí. Um caminho feito de paradas, retornos, atalhos. E, por último, o mais importante: minha banda preferida é o The Who. Já mencionei isso.

Mas por que falo de rock e de lembranças, referências? E por que somente o nome de Jimi Hendrix aparece em negrito? Se vivo, o senhor da foto teria 76 anos, mas morreu num dia 18 de setembro, há 48 anos. Para mim, é o maior de todos os guitarristas – e olhe que sou fã de Clapton, que muitos consideram um deus das cordas, e de Jimmy Page, outro monstro -, embora haja uma justa ressalta a ser feita: será que Jimi manteria o pique? Essa é uma questão tão absolutamente desnecessária quanto divertida, embora muita gente leve isso a sério. Para seus detratores, ou para os fãs de outros guitarristas menores, Jimi Hendrix não teve tempo de mostrar que seria eterno. Para mim, este post mostra o contrário.

Jimi fez tudo o que era possível – e o que era considerado impossível, ele deu um jeito. Fez das distorções música para todos os ouvidos. Usou a tecnologia para expressar o som que não se imaginava existir. Foi um inovador, arriscou-se ao máximo em busca do som que queria apresentar – e acabou por influenciar todos (ou quase todos) que vieram depois dele. Poucos fizeram isso na música, e quando afirmo isso levo em conta todos os gêneros. Eu disse todos. Fez blues-rock, rock and roll, hard rock, baladas, country, jazz. Lá no início da postagem falei em Electric Ladyland. Claro que você conhece, mas, se ainda não teve oportunidade, ouça. É o derradeiro álbum de estúdio do The Jimi Hendrix Experience, trio que comportava também Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria). É ouvir para crer. E rezar pela música de Jimi Hendrix, que durará para sempre,

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About the author

Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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