Vendo (do verbo ver) um musical

Agora me diga: além de ser uma comédia de primeiríssima, que outro filme pode reunir três dos maiores cantores norte-americanos – Frank SinatraBing Crosby e Sammy Davis, Jr. -, e ainda, de quebra, apresentar a voz firme de Dean Martin, o charme cínico de Peter Falk e a beleza exuberante de Barbara Rush? Pois se você apostou em Onze Homens e um Segredo, clássico de 1960, errou,  porque Mr. Crosby não estava nele, e a mocinha do filme é a deliciosa Angie Dickinson – que ainda perde para Barbara por alguns corpos de distância. O filme em questão é Robin Hood de Chicago, uma comédia musical dirigida por Gordon Douglas, feita há 53 anos. Mas porque ressuscitá-la? Primeiro porque revi ontem, domingo pós-Enem, no canal pago TCM. E também – principalmente – pelos motivos apresentados no início da postagem.

Eu gosto de musicais, essa invenção dos ianques, que representam uma era, um determinado momento estético em que tudo parecia dar certo, da música à coreografia, passando pelos cenários e pelos temas – quase sempre encharcados de uma ingenuidade sedutora, alegre. As produções grandiosas, as orquestrações e arranjos afinados, a excelência das canções – cujos compositores (ao menos  maioria) estão entre o que há de melhor na música popular do século passado – e, claro, a combinação de tudo isso aliada a histórias que não são esquecidas facilmente. E, para finalizar: musicais me proporcionaram conhecer Cyd Charisse. Quem é? Esta AQUI, num outro musical que não se encaixa na postagem.

À parte o fato de que três membros do temido Rat Pack – o quarteto formado pelos hedonistas Sinatra, Sammy Davis, Dean Martin + Peter Lawford -, o filme sobrevive por duas razões: é uma comédia atemporal, embora seu ambiente sejam os norte-americanos anos 30, e a história intertextualiza com uma das imortais lendas da literatura: o mito de Robin Hood e seu bando. Esses dois motivos já valeriam o ingresso. Mas há duas passagens que constam de qualquer lista de grandes cenas do cinema cômico: numa delas, AQUISammy Davis, Jr. canta e dança e sapateia o tema Bang Bang. Numa OUTRA, os já citados senhores simulam um culto religioso no qual excomungam o energúmeno álcool. A música se chama Mr. Booze.  Se tiver tempo, deixe rolar e assista. Antológicas!

Escrevi, há poucas semanas, sobre La La Land, musical oscarizado, homenagem ao jazz. Não sei se o sucesso do filme criará uma onda que fará brotar novos filmes do gênero. Não creio. A meninada não aprecia muito. Quer ação, fantasia, heróis da Marvel. Eu, um tanto resignado, volto no tempo por conta desses canais de tevê, que enchem meu coração de alegria e me torna um romântico temporário. Por isso fico imaginando um musical com os quatro grandes mencionados + Tony Bennett, Nat King Cole, Johnny Hartman e Louis Armstrong. Um show e tanto, com o qual ficaria difícil rivalizar. Faltou alguém? Ah, sim, Elvis Presley. Bons sonhos, então, Grijó!

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Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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