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Mulheres #8: Audrey Hepburn

Quando Audrey Kathleen Hepburn-Ruston morreu, há exatamente 27 anos, num dia 20 de janeiro, fiquei sabendo que ela era belga. Sempre imaginei que fosse norte-americana, daquelas mocinhas do interior, que acabam numa cidade grande e em vez de serem engolidas por ela, dão um nó no cosmopolitismo decadente. Começou a vida como bailarina e assim se manteve até chegar ao teatro. Para o cinema, foi um pulo – e que pulo! Logo na estreia, aos 24 anos, levou a estatueta do Oscar para casa, por ter atuado em A Princesa e o Plebeu, contracenando com o astro Gregory Peck.

Dia desses li que Audrey Hepburn era geniosa, mandona e tratava mal quem a contradissesse. É possível, mas o que deixa transparecer é justamente o contrário. A imagem quebradiça, mesmo com 1 e 70 de altura, é acompanhada pela voz meiga e o olhar de quem se assusta facilmente, de quem acorda sobressaltada. Pode ser que tudo seja o contrário do que se afirme, afinal o que seria de Hollywood sem isso? Assisti a Sabrina outro dia. Engoliu Bogart, cantando La Vie en Rose, durante o passeio de carro. O filme é ótimo, clássico de Billy Wilder, o gênio do cinema que, dizem, babava por ela.

 

Quem se interessa por Audrey Hepburn deve estar questionando: e Bonequinha de Luxo, cujo título original é Breakfast at Tiffany’s? Bem, primeiramente a personagem não é bissexual, como no livro homônimo de Truman Capote, base da película. Provavelmente os católicos e judeus frequentadores de cinema, e formadores de opinião, não compreendessem bem a questão. Depois: o papel da personagem central, a prostituta Holly Golightly, era destinado a Marilyn Monroe, mas acabou na pele e nas mãos de uma morena com menos sex appeal, mas que sugeria – mais uma vez – exatamente o contrário.

Dizem que nunca existiu uma mulher como Gilda, eternizada pela belíssima Rita Hayworth (em breve, neste blogue). É possível, mas nessa lista de mulheres incomparáveis faz-se necessário incluir o nome de Audrey Hepburn. Sem ser voluptuosa e calipígia, tinha a anatomia das mulheres que acabam de desabrochar. Sem falar no olhar que sugeria proteção e arrebatamento, timidez e desejo. Dependendo da situação, tudo isso. Duvida? Assista a My Fair Lady e depois conversamos. É uma das melhores comédias musicais já produzidas. Se você não gosta do gênero, assista pelo menos por conta da atriz principal. Ela sempre foi um ótimo motivo de se ir ao cinema.

Audrey morreu durante o sono. Estava fraca por conta de um câncer raro que lhe devorou o abdômen. Morreu antes de completar 64 anos, acompanhada pelos filhos e pelos amigos, que sempre lhe foram fiéis. Nunca deixou de representar o que se tornou em vida e nas telas: um ícone de beleza e de talento. Para alguns críticos, foi a mais talentosa de todas as atrizes, pela versatilidade, pela presença em cena, e pelo amor que a câmera sentia por ela. Fica para sempre – e justamente por ficar, está neste blogue, retomando a série Mulheres, que já teve Marilyn Monroe, Ornella Muti, Nastassja Kinski, Raquel Welch, Ava Gardner, Romy Schneider, Monica Bellucci.

A próxima será a brasileira Sonia Braga.

 

Por Francisco Grijó

Francisco Grijó, capixaba, escritor, professor de Literatura Brasileira, atual secretário de Cultura de Vitória (ES)

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