O melhor do Jazz #10: trompetistas

Quem são os maiores trompetistas do jazz? Bem, cada um tem sua preferência – e eu me incluo nesse cada um. Essa série O Melhor do Jazz revela, é evidente, minha preferência. Já adianto que deixo de lado um jazzista hors concours (que, hoje, faria 121 anos): Louis Armstrong. Justifico: além de ser o “pai” de todos, foi – mais uma vez a meu ver – superior a outros trompetistas, independentemente da época. Fica de fora, então. Agora, meu top 5:

Dizzy Gillespie é um dos maiores nomes do jazz, considerado o criador do bepob, ao lado de Charlie Parker. Sendo seu fraseado constantemente inventivo, criou um vocabulário jazzístico próprio, muitas vezes sincopado. Foi virtuose, mas foi, também, vanguardista, ligando o jazz norte-americano à música caribenha – para horror dos puristas. É uma figura genial, um instrumentista de primeira linha, imitado, admirado, reconhecido. Sugestão: ouça Bird and Diz, AQUI. É um dos clássicos do jazz.

Miles Davis mudou o jazz três vezes. Criou o modal jazz, o cool jazz e o  jazz fusion. A despeito de concordar ou não comigo, é um nome fundamental do gênero. Sem sua liderança, não conheceríamos o melhor quinteto da história do jazz, nem o noneto que apresentou a conexão com a música clássica, nem a troca de beijos com o rock. Miles arregimentou músicos como ninguém fez, nem antes nem depois. Essencial! Sugestão: ouça, AQUI, ‘Round About Midnight, um dos grandes discos do quinteto de Miles, no qual brilhavam John Coltrane, Paul Chambers, Red Garland e Philly Joe Jones.

Miles Davis' Historic First Blue Note Recording Session | uDiscover

Clifford Brown é, para muita gente, o melhor de todos os trompetistas. Tenho todos os discos dele pela Emarcy, e meu preferido é este AQUI. Sua morte prematura, aos 25 anos, contribuiu para a mística de que um substituto para Louis Armstrong havia deixado este mundo, embora tenham tido, ambos, diferentes estilos. A potência do sopro, as frases limpas e a força improvisativa eram suas marcas inequívocas. Um músico genial, que sobressaiu ao lado de um dos maiores bateristas de jazz de todos os tempos, Max Roach.

Clifford Brown Jazz Festival (Live Virtual Stream) - JazzBuffalo

Dentre os inúmeros discos de Lee Morgan que possuo, Leeway é o que mais me impressiona – e o primeiro que adquiri, no início dos anos 1990. AQUI você o ouve, inteirinho, em companhia de quem o projetou, Art Blakey, e de um dos ótimos pianistas do jazz, Bobby Timmons. Muito ligado ao blues, Lee Morgan criou uma forma muito particular de tocar: solos longos, bem articulados, claros, inspirados no som de seu primeiro professor, Clifford Brown. Lee morreu aos 33 anos, assassinado pela esposa.

Casamento, assassinato e heroína: o trágico conto do trompetista de jazz  Lee Morgan

Woody Shaw empatou com Fats Navarro, Donald Byrd, Freddie Hubbard e Clark Terry na escolha do quinto nome. Escolhi-o porque, ao ouvi-lo, lembro-me de dois outros grandes trompetistas (que não entraram na lista): os citados Navarro e Hubbard. Woody Shaw mistura a força improvisativa do primeiro e o suingue cerebral do segundo. AQUI um disco fabuloso, com standards do jazz, e em companhia do excelente pianista Cedar Walton.

Last studio recording of jazz trumpeter Woody Shaw released | PBS NewsHour

Próxima edição: os quintetos.

10 opiniões sobre “O melhor do Jazz #10: trompetistas”

  • 4 de agosto de 2022 em 17:59
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    Mestre,
    Considere Louis Armstrong; o resto é consequência.
    Ouço e admiro vários, mas quando Armstrong entra em cena, todos estão ali.

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    • 4 de agosto de 2022 em 19:00
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      Concordo.
      Por isso coloquei-o como hors concours.
      Sem ele, não haveria os outros. É o pai mesmo.

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  • 4 de agosto de 2022 em 22:28
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    Eu sou fã de Clyde McCoy com sua surdina mágica!

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  • 5 de agosto de 2022 em 05:13
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    Com certeza o Miles Davis já está em meu coração, mesmo que eu não conheça tanto sobre jazz.

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    • 3 de setembro de 2023 em 20:33
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      Bom, um dos bons. Principalmente tocando com o mentor, Art Blakey.
      Gosto muito tb do Soulful Sin.

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  • 5 de abril de 2024 em 12:29
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    Gosto muito de Kenny Doham!! Lee Morgan é o meu favorito

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    • 5 de abril de 2024 em 15:40
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      Gosto muito dos dois que vc citou.
      Tenho vários discos do Lee Morgan, como líder ou como sideman de Art Blakey.

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