Há uma anedota que se mantém durante algumas gerações de interessados em música erudita (ou clássica). Seguinte: Beethoven , o Grande, morre e, evidentemente, vai para o céu. Lá, diante de São Pedro, o Porteiro Celestial, o velho Ludwig lhe pergunta sobre Bach, Johann Sebastian, esse mesmo, o mais importante compositor da música. São Pedro, num dia de maus fígados, diz-lhe, um tanto rabugento, para procurar por si mesmo. Beethoven perscruta o céu durante horas, procura o Mestre em cada canto, em cada alameda, escadaria, rua, estabelecimento. Não encontra. Pronto para desistir, enxerga, ao longe, J. S. Bach, a quem tanto queria conhecer, montando serelepe uma bicicleta, rindo como um livre e leve pré-adolescente despreocupado. Beethoven, emocionado, aos pulos, grita a São Pedro: “Veja! Lá está Bach! Achei-o, achei-o!” O Porteiro, entretanto, adverte-o: “Fique quieto, rapaz, ssshhhh! Aquele é Deus! O problema é que Ele pensa que é Bach!”

Pois bem, a anedota não é ruim, penso eu, e denota bem a importância do velho Kantor, a maior personalidade da Arte. Não, não vou repetir o que já se disse – e ainda se diz e muito se dirá – sobre esse senhor que, ontem, fez 267 anos de morto. Na verdade, essa postagem vai além disso. É uma divulgação dirigida a quem aprecia música erudita. Ou clássica, como querem muitos. Não sei se algum de meus poucos leitores têm interesse no assunto. Se têm, aí vai a grande dica: NESTE SITE é possível ter contato com a excelente música – sem contar as postagens, carregadas de ironia e informação precisa, fundamental. O próprio nome do site já é um achado. Frequento-o faz alguns anos. Vale checar. Divirtam-se!


Li Meu Último Suspiro, sua autobiografia, logo que foi editado no Brasil, pela Nova Fronteira, nos anos 1980. Um livro divertido, embora o leitor que aprecie (e tenha visto) alguns filmes de Buñuel compreenda melhor o que ele afirma e o que pensa – principalmente sobre si mesmo. Creio que a ideia de um último suspiro seja algo reflexivo, que se volta para quem expira. Uma pena realmente que Luis Buñuel tenha feito isso conosco. E com o cinema, principalmente.
Em 1984 ganhei um livro intitulado Come Back, Dr. Caligari. Um querido amigo, psiquiatra e escritor (excelente em ambas as atribuições), presenteou-me. Li sem desconfiança, afinal por que um amigo capixaba me presentearia como um grego? As portas se abriram de um lado a outro: Donald Barthelme foi apresentado a mim e eu me apresentei a ele, como se dissesse: de agora em diante, estaremos lado a lado. Até então eu não sabia se havia ou não uma tradução para esta língua periférica, o português. Dois anos depois, na livraria São José, na rua do Carmo, capital carioca, encontrei Vida de Cidade (ilustração à esquerda de quem olha), edição de 1975, da Artenova. Não é grande tradução, mas era o que existia. Sim, até então era único livro de Barthelme traduzido.
Donald Barthelme, ao lado de 
Tenho lido bastante sobre arte contemporânea. Meu próximo romance, em andamento, e com o título provisório de Fama Volat, versa sobre o assunto. Mais não falo – até porque a quem interessaria? Pois bem: o livro à esquerda, cujo título se refere a uma específica obra de arte (sim, um tubarão de verdade) e seu valor de mercado, expõe, de forma curiosa e contundente, os motivos que levam uma determinada obra a ser avaliada de forma exponencial – em termos econômicos, evidentemente. Sabe-se, claro, que a unicidade da obra artística – um quadro, uma escultura, um mural etc. – pode ser uma catapulta monetária. Isso não é novidade e também não é suficiente para que tal catapulta faça seu trabalho.

Mas meu disco preferido não é obra de estúdio – e sim ao vivo, ao lado de Buddy Miles, ex-baterista da banda de Jimi Hendrix. Na cratera do vulcão Diamond Head, no Havaí, durante o Sunshine Festival, em 1972. É um som absoluto, musculoso, lisérgico, com a força sonora que faz jus ao local onde é produzida. É como lava fumegante descendo sobre a cabeça de quem ouve. Não, não estou exagerando. Mas não espere a barulheira nem os exibicionismos do heavy metal. É som de verdade, e com destaque para a pegada funky em 











Pode até ser que você, sexto ou sétimo leitor, não me pergunte, mas vou citar os livros de Vonnegut de que mais gosto. Vale para preencher a postagem, assim como vale para um possível curioso que leve a sério o que digo. Leia Almoço dos Campeões, Bem Vindo à Casa dos Macacos, Bode Vermelho, Cama de Gato, Galápagos e, claro, Matadouro 5. São clássicos, embora eu considere clássica praticamente toda a obra desse senhor. Todos esses livros citados podem ser encontrados em traduções satisfatórias, mas se você lê na língua de Vonnegut a coisa fica melhor, tenha certeza. Aliás, não é só o documentário que abriu a postagem que revela o namoro entre Vonnegut e o cinema.