Ciment & Kubrick

Michel Ciment évoque Stanley Kubrick, le «dernier grand homme de spectacle du cinéma moderne» | INAMichel Ciment é um dos maiores críticos de cinema no mundo. Ou foi, porque morreu há 3 anos, mas o que registrou na Positif — um contraponto à Cahiers du Cinéma —– sobre Orson Welles, no início dos anos 1950, tornou-o uma celebridade na área. Um craque respeitado entre seus pares e admirado por quem aprecia o cinema. Acabei de ler seu ótimo livro Kubrick, publicado pela Ubu Editora. Michel Ciment é esse senhor ao lado, cujo trabalho acerca do diretor norte-americano é, para mim, o que há de melhor sobre o autor de 2001, Uma Odisseia no Espaço e Laranja Mecânica.

O que há de tão interessante, e de tão inovador, sobre um autor de cujos filmes quase tudo já foi dito? Bem, não creio que Ciment quisesse ser original, mas foi: conectou os filmes de Kubrick de uma forma que eu nunca havia visto (nem pensado). Mostrou as intratextualidades, as autocitações, os elementos comuns a vários de seus próprios filmes e, de quebra, mostrou que o grande diretor norte-americano muitas vezes negava, no filme que então preparava, o filme feito anteriormente. Em outras palavras: era um inquieto que insistia em negar-se, e ir adiante, mas olhando para trás, era um processo considerado natural. Era um inovador.

Ao menos 5 filmes do mestre são dissecados: 2001, O Iluminado, Laranja Mecânica, Barry Lyndon e Nascido para Matar. Há deliciosos — e esclarecedores — depoimentos de gente que trabalhou com Stanley Kubrick: as atrizes Shelley Duvall e Marisa Berenson; os atores Jack Nicholson e Malcolm McDowell; a roteirista Diane Johnson e o assistente Andrew Birkin, sem falar em John Alcott, diretor de fotografia que trabalhou com ele em vários filmes, e que afirmou, em 1980: “Se Kubrick não fosse diretor, seria o melhor diretor de fotografia do mundo.” Devia saber o que estava falando.

Michel Ciment é um fã da psicanálise — e, claro, de Freud, a quem cita inúmeras vezes. O cinema de Kubrick, simbólico e complexo, seria um prato cheio para o pensador vienense. E é usando a invenção dele que Ciment nos oferece belos textos sobre Lolita e De olhos bem fechados, duas pérolas que, avaliadas pelos olhos (bem abertos) da psicanálise, mostraram-me aquilo que não percebi vendo e revendo esses filmes. Acho que é hora de parar de falar. Se você gosta de cinema e aprecia textos inteligentes sobre essa arte, vai apreciar o que diz Michel Ciment. Aproveite!

Caso queira ler um texto meu sobre Laranja Mecânica, clique AQUI.

As mulheres de Guerreiro

O fotógrafo Antônio Guerreiro viveu bem. Filho de milionário, desfrutou de uma cobertura, no Leme, na qual fez inúmeras festas para as beldades e socialites cariocas, todas sequiosas por um clique, um flash. Fotografou belíssimas mulheres, quase todas famosas que, por meio de suas lentes e de seu talento, ficaram ainda mais belas – como se isso fosse possível. Era. Divertiu-se naquele Rio de Janeiro que não existe mais: marcado pelo glamour, pela sexualidade transbordante, pela valorização da estética, pela beleza feminina. Três delas, abaixo:

Antônio Guerreiro foi casado com duas belíssimas mulheres – uma de cada vez, evidentemente. Sônia Braga – que recentemente visitou as páginas deste blogue – e Sandra Bréa, um dos mis belos rostos da tevê. Além da morenice, do mesmo marido e das iniciais, as duas tinham em comum a sensualidade que Guerreiro soube explorar ao extremo. É só conferir, abaixo:

Sônia Braga em 1980, quando era casada com Guerreiro (Foto: Reprodução/Vogue Brasil)

As atrizes Dina Sfat e Maitê Proença foram dois exemplos de que mulheres bonitas ficam ainda mais belas quando bem fotografadas. A morenice sensual da primeira, potencializada pelos olhos e pela boca entreaberta, sugerem – e isso, claro, é interpretação pessoal – que nada é mais potente, numa fotografia, do que aquilo cada observador é capaz de ver. Maitê, bela e iluminada, expressa alegria, leveza. Guerreiro sabia das coisas.

Nem sei quantas mulheres Antônio Guerreiro fotografou. Oficialmente, foram mais de 600 beldades – entre atrizes, modelos, socialites, gente do mundo da arte e da cultura. Mais de 500 mil clicadas em 25 anos de uma profissão que qualquer um – homem ou mulher – apreciaria ter. Abaixo, a sempre bela Tônia Carrero, a exótica Elke Maravilha, as deslumbrantes Zezé Mota e Bruna Lombardi.

Antônio Guerreiro nasceu em 10 de julho de 1947. Se quiser ter uma boa visão do trabalho de Guerreiro, é só clicar AQUI. Inclusive há uma lista de fotografados, homens e mulheres. Pelo menos metade desse plantel não interessa a esta postagem.

Dia do Pulo, ontem

Ontem foi dia 20 de julho e, para quem não sabe, nessa data se comemora o Dia Mundial do Pulo. Isso mesmo que você leu: pulo, substantivo do verbo pular. Sim, galgar, transpor, saltar e assim por diante. A maluquice – o nome original é World Jump Day – foi criada por um alemão chamado Torsten Lauschmann, que afirmava que se 600 milhões de pessoas pulassem, simultaneamente, a órbita deste planeta seria alterada e, dessa forma, poderia influenciar no aquecimento global – que desapareceria como se não houvesse existido. Não, não faz sentido, mas e daí? Isso foi em 2006.

Pois não é que 47 anos antes, já se considerava o pulo algo libertário, que transcendia qualquer limite razoável e que deveria ser praticado por todos algumas vezes por semana? Quem pensava assim? Philippe Halsman, fotógrafo nascido na Letônia, e que, em 1959, lançou Jump Book: essa, sim, uma deliciosa bobagem. Tive essa raridade (a edição do ano de lançamento) em mãos, num sebo em Lisboa, mas não tive a coragem de desembolsar 440 euros pelo item.

Durante seis anos, Philippe Halsman convenceu atores, políticos, escritores, comediantes, pintores, músicos – todos eles (quase 200 celebridades) convencidos ao clique enquanto se projetavam para o alto e, inevitavelmente, por conta da gravidade, retornavam a seu lugar de origem. Durante o pulo, eram clicados. Caso da dupla Dean Martin e Jerry Lewis. E mais: além das extraordinárias fotografias – algumas delas improváveis! – há um ensaio escrito pelo fotógrafo intitulado “Jumpology” (algo como Pulologia), no qual afirma que o pulo faz a máscara social cair, mostrando a verdadeira face das pessoas. 

Acima, o físico J. Robert Oppenheimer, o homem da bomba atômica. Abaixo, Fred Astaire, que dançava melhor do que pulava.

117 Melhores Ideias de Jump! em 2020 | Fotos, Preto e branco ...

Eis a ideia de improbabilidade: o então presidente norte-americano Richard Nixon e o duque e a duquesa de Windsor. O poder e a aristocracia pegos no pulo.

E que tal mulheres em pleno ar? Kim Novak, Marilyn Monroe, Grace Kelly (em companhia do autor/fotógrafo).

E, para finalizar, com chave dourada: Dalí Atomicus.

Quer mais? Clique AQUI.

Imagens do Tri (saudosismo aos 8 anos)

Creio que escrever sobre futebol – e ainda mais comemorar algo relativo a ele – esteja um pouco fora da ordem do dia. É provável e possível. Pandemia, desgoverno, racismo e fake news são assuntos mais atuais. Deixo temporariamente de lado para ilustrar os 50 anos do tricampeonato mundial no México – na verdade, a primeira Copa do Mundo de que me lembro, quando tinha oito anos. A partir de então, acompanhei todas as outras, mas torci pela seleção brasileira nos torneios de 1974, 1978. Depois, nunca mais. Qualquer dia conto os motivos, se houver interesse.

Mas eis o que eu queria dizer: as imagens da Copa no México são repetidas à exaustão. Poucos desconhecem os lances mais emblemáticos, como este, abaixo:

Sim, é o drible de corpo que Pelé impôs ao goleiro uruguaio, na semifinal. Ladislao Mazurkiewicz, filho de poloneses, era um dos melhores arqueiros do mundo. Foi humilhado pelo jogador mais ofensivo do futebol, mas contou com a sorte. A bola, ao final da jogada, não entrou. Não sei se você – que está lendo – sabe, mas essa jogada inspirou um romance intitulado O Drible, do mineiro Sérgio Rodrigues. Vale ler.

Outra imagem, também repetida: o cabeceio do mesmo Pelé, contra o gol inglês, defendido espetacularmente pelo melhor goleiro da época, Gordon Banks. O interessante é que por 50 anos deu-se, justificadamente, muito valor à defesa, tida como a mais difícil das copas, daí eu privilegiar o instantâneo do cabeceio, da impulsão.

Pois é. Gerson, o melhor meia que vi jogar, fez apenas 1 gol naquela copa – e justamente na final, contra a Itália. Um chute poderoso, de canhota, que venceu o goleiro Albertosi. Ok, ok: o time da Itália estava cansado, afinal participara, poucos dias antes, do chamado Jogo do Século, ao vencer, na semifinal, a Alemanha por 5 a 4. Sinceramente? Se a Itália tivesse dormido uma semana, mesmo descansada não venceria o Brasil. Eis o chute de Gerson, visto num ângulo pouco difundido:

Agora imagine um centroavante que só tenha feito 2 gols: ambos contra o Peru, partida em que o Brasil venceu por 4 a 2. Pois é: Tostão, camisa 9, era ponta-de-lança no grande Cruzeiro do início dos anos 1970. Fez vários gols nas Eliminatórias, e no México, além dos gols citados, foi fundamental nos jogos contra o Uruguai e contra a Inglaterra. Um gênio absoluto no gramado.

A Copa de 1970 foi meu début. A partir de então, passei a apreciar o futebol, acompanhei a Copa de 1974, com 12 anos e lendo exemplares da revista Placar. Assisti à potência argentina em 1978 até chegar em 1982 quando, por questões políticas, passei a torcer contra. Uma bobagem que fica para a próxima, coisa de universitário de 20 anos que considerava futebol alienação. Repito: bobagem. Por quanto, eis mais algumas imagens:

Sim, há 50 anos.

A imagem do Rock

Primeiramente, é necessário registrar que houve 1 vencedor do DESAFIO DO IPSIS.

Vitor Sarmento acertou as 3 perguntas e, portanto, leva o prêmio. O que falta é ele escolher qual, passar o endereço e esperar para gozar o fruto de seu conhecimento. Vamos em frente!

Agora o Rock, com maiúsculas. Você conhece Jim Marshall, Henry Diltz, Brad Elterman, Bob Gruen e Charles Peterson? Não? Pois esses senhores têm um ponto comum: foram capazes, num dado momento, de capturar o que o Rock – novamente maiúsculo – tem de mais apropriado: a atitude. Claro que eu poderia, caso quisesse, substituir os cinco senhores citados por Pennie Smith, Jerry Schatzberg, Jenny Lens, Danny Clinch e Robert Knight. Quantos mais? Pois esses senhores são artistas que, acompanhando este ou aquele cantor ou banda, puderam, em instantâneos, expressar em imagem o que se representa em música – e aproveitaram para eternizar um momento que nunca se repetirá. É só checar as imagens abaixo (Stones, por Ethan Russell; The Doors, por Yale Joel, e Eddie Van Halen, por Lynn Goldsmith).

Fotografar o rock não é tão difícil, dizem alguns. Os artistas, grosso modo, criam o estardalhaço quando as câmeras se aproximam. Tentam voar, mostram-se desagradáveis, irrompem em caretas, inventam piruetas e perfumarias visuais que são, evidentemente, um banquete para quem quer registrar a imagem. Eis aí um engano: claro que a pose é uma exigência, mas as grandes imagens do rock vêm do fundo – tanto de quem é fotografado quanto de quem se presta ao registro. As duas imagens abaixo, Steven Tyler, em foto de Neil Preston, e Chuck Berry, trabalho de Lynn Goldsmith, comprovam isso.

Elton John, abaixo, faz a acrobacia para os olhos de Terry O’Neill, um dos grandes fotógrafos de moda por 4 décadas. Foi um dos primeiros a registrar o contato entre os Beatles e os Stones quando ainda iniciavam a rivalidade que nunca, de fato, concretizou-se. Especializou-se em sugerir que seus fotografados criassem situações tão insólitas quanto verossímeis. O’Neill era o fotógrafo preferido de Elton, a quem se mostrou em várias situações – desde o estúdio até o recesso da própria intimidade.

Jimi Hendrix e Jim Morrison, heróis trágicos, personas definitivas no rock, fotografados por Michael Ochs. Hendrix faz o V da paz no Civic Auditorium em Bakersfield, California, em outubro do ano emblemático de 1968. Toda a audiência, muda, voltada para ele. No mesmo ano, em Frankfurt, Alemanha, Jim Morrison, desfeito no palco, também sob olhares de quem nada entendia.

O psicodélico Alice Cooper pelos olhos do sempre excelente Bob Gruen: a espada fincada na boneca como uma oferenda ao público que estende a mão. Ano de 1973, no Spectrum, de Filadélfia. O dia era 8 de março; o ano, 1973. Pete Townshend chuta o ar no Isle of Wight Festival, em agosto de 1969. Mais abaixo, o eterno Jimmy Page, o baixista do Pearl Jam Jeff Ament voando alto no Lollapalooza, em Boston, há 26 anos. São instantâneos absolutamente impagáveis, únicos, como só a fotografia pode proporcionar.

fotografos de rock 8

Acima, dois vocalistas aparentemente distintos. Robert Plant, imortal à frente do Led Zeppelin, em foto de Neil Preston, em San Francisco, 1973, e o sempre alucinado Iggy Pop, voz dos Stooges, no Kings Cross Cinema londrino, em 1972, numa foto antológica de Mick Rock. Privilegiados pela proximidade do fato e do ato, esses fotógrafos nos legaram imagens que ficarão para sempre. Talvez vivam mais que o rock em si.

Henri Cartier-Bresson, 110 anos.

Há 110 anos nascia um dos grandes fotógrafos do século XX: Henri Cartier-Bresson. Sou aquele fã que, tendo em mãos o extraordinário tête à tête (ao lado)- com minúsculas mesmo -, deslumbrou-se com a delicadeza e argúcia dos retratos desse genial fotógrafo. Lembro-me de o jornalista Paulo Francis chamando Sebastião Salgado de sub Cartier-Bresson. Era um daqueles programas da série Manhattan Connection – que, aliás, só era bom porque havia Paulo Francis. Houve, claro, um certo exagero na maledicência, mas um comentário com raízes na verdade. A superioridade do fotógrafo francês é visível, mas, de fato, de que vale a comparação?

Em sequência de 3: a beleza desleixada da pensadora Susan Sontag, a juventude do escritor Truman Capote e o charme absoluto do também escritor Albert Camus.

O livro em questão é composto de retratos – algo que, em tese e princípio, diz-se fácil de fazer. Engano total. Capturar o que há de mais pessoal em cada um dos retratados é tão difícil quanto adivinhar-lhes a personalidade, o caráter. Cartier-Bresson sabia o que estava fazendo. A despeito de conhecer seus modelos (alguns viu apenas uma vez), trouxe ao espectador uma visão muito pessoal de cada um que se colocou diante da câmera. O enormíssimo compositor Igor Stravinski, o pintor Henri Matisse e o polêmico pensador Carl G. Jung que o digam:

Dizem que a fotografia aproxima-se da morte (li isso através de Barthes, nos anos 1980), já que expressa um momento que nunca se repetirá, que tal observar esses momentos derradeiros tendo o grande pintor Pablo Picasso, o poeta Ezra Pound e o dramaturgo Arthur Miller como cobaias?

O escritor Samuel Beckett e a cantora Edith Piaf fecham esta postagem, mas o livro tête à tête deve ser lido/visto devagar, e de trás para frente após ter sido lido da forma tradicional. A cada página, é possível não somente estar diante da genialidade de Henri Cartier-Breeson, mas também poder privar com cada um dos retratados em sua particularidade: aquilo que esse fotógrafo conseguiu mostrar-nos. E ninguém mais.

 

Os amigos de Herman Leonard

Herman Leonard é o maior fotógrafo do jazz. Ponto. Essa afirmação será confirmada por si só, nesta postagem. Não há, penso, necessidade de palavras que possam definir a sensibilidade + talento + oportunidade de capturar as imagens que este senhor capturou durante anos acompanhando grandes nomes do gênero. É o gênio da raça, o apogeu, o mestre absoluto – e olhe que tinha rivais de peso, como Jim Marshall, Bob Willoughby e William Claxton, três bambas que souberam definir, em imagens, a época e a estampa jazzística. Leonard, entretanto, fez mais: transformou ícones da música em criaturas humanas dotadas da mesma fragilidade que o mais ordinário dos homens.

Billy Holiday retratada por Herman Leonard

Billie Holiday

Há algo de melancólico na foto de Billie Holiday. Parece estar à espera do momento certo para adentrar a melodia, com sua voz de pouco alcance, mas absolutamente inesquecível. Não está em ação, mas Herman Leonard conseguiu, a meu ver, dar um tom ao momento. Billie observa, de uma forma aparentemente triste, a ação que virá. Abaixo, Dizzy Gillespie, uma das mais significativas figuras do jazz, num solo que parecemos ouvir. A fotografia é de 1948. Dizzy foi outro que Leonard acompanhou por décadas, captando o que ele possuía de mais peculiar – além, evidentemente, da música.

Dizzy Gillespie. Icono del jazz

Dizzy

Imagem da semana | SAIBADESIGN

Ella Fitzgerald

Essa senhora acima, a Primeira Dama do Jazz, era sua preferida. Herman Leonard acompanhou-a durante várias apresentações pelos EUA e pelo mundo, de 1949 até 1987. A foto exposta, feita em Paris, em 1960, é a expressão do que o jazz pode provocar em quem o produz. A percepção do momento oportuno, do êxtase, do suor que brota e que escorre pela face: tudo isso exala felicidade na captura daquilo que se chama performance e que será eternizado pelo instantâneo. Quem mais poderia ter feito isso? O mesmo se pode dizer da foto abaixo, no Downbeat Club, em 1948. Na plateia, maravilhados com Ella e com sua voz, estão Duke Ellington, à frente, e, mais atrás, Benny Goodman. E o que dizer do ponto luminoso entre o pescoço e o ombro dElla?

Herman Leonard, Ella Fitzgerald with Duke Ellington, Benny Goodman and  Richard Rogers, Downbeat, New York City, (ELF03), 1948 - Artwork 27912 |  Jackson Fine Art

Herman Leonard: Jazz Giants, Dexter Gordon, New York (DXG01), 1948 |  Jackson Fine Art

Dexter Gordon

Acima, a foto mais famosa feita por Herman Leonard. Dexter Gordon, um dos gigantes do sax tenor, à espera de que o show tenha início, no Royal Roost Club, em Nova Iorque. Dexter parece parado no ar, a fumaça do cigarro envolvendo-o. Atrás, o baterista Kenny Clarke. O próprio Leonard afirmou que a fumaça fazia parte da atmosfera do momento e dramatizava o instantâneo, o momento eternizado. É uma foto sensacional, de 1948. Em 1953 – abaixo -, o encontro entre o saxofonista Sonny Stitt e o sempre ótimo trompetista Dizzy Gillespie, alguns anos antes do histórico disco que reuniu os dois + o extraordinário saxofonista Sonny Rollins. Stitt, olhar absorvido, é o que há de melhor na foto.

Resultado de imagem para herman leonard

Sonny Stitt, Dizzy Gillespie

Herman Leonard | Duke Ellington, Billy Strayhorn, Paris (1960) | Available  for Sale | Artsy

Duke Ellington, Billy Strayhorn

Coleman Hawkins

Hawkins foi uma escola, uma tendência que trouxe à superfície um grande número de não menos grandes seguidores. O citado Sonny Rollins foi um deles. Esse close parece expressar a seriedade e a dedicação com que o enormíssimo sax tenor executava seu instrumento. Claro: não é prerrogativa sua. Muitos foram tão dedicados quanto ele, mas somente o velho Coleman teve o privilégio desse registro tão autêntico, tão verdadeiro. O mesmo se pode dizer de outro grande músico – o trompetista Fats Navarro (de quem sou fã). A fumaça, tão cara ao ambiente jazzístico, parece brotar das válvulas do instrumento, proporcionando a fusão entre imagem e som. Esta é outra foto seminal.

Sunday Jazz 3/13: The Legend of Fats Navarro // Guillermo Klein at Da  Camera 3/19 - ktru

Fats Navarro

Herman Leonard morreu em 2010, de causa não revelada. Um serviço: AQUI é possível visualizar inúmeras de suas fotos. O tema, claro, é o jazz e quem o produziu.

Os Olhos de Ansel Adams

Não sei se meus seis ou sete leitores já ouviram falar de Ansel Adams. Se gostam de fotografias, certamente sim. Por conta da Segunda Guerra, com medo de ataques aéreos que certamente vilipendiariam o patrimônio (natural ou não) norte-americano, o National Park Service convocou o fotógrafo, às pressas, para imortalizar tal patrimônio – algo que ele fez, em momentos interruptos, durante quase 3 anos. Muitas dessas fotos foram feitas nos parques nacionais Grand Canyon, Grand Teton, Kings Canyon, Mesa Verde, Rocky Mountain, Yellowstone, Yosemite, Carlsbad Caverns, Glacier, e Zion. Várias delas registraram Death Valley, Saguaro, e Canyon de Chelly National Monuments.

Snake River, Wyoming, 1941

St. Mary’s Lake, Glacier National Park, Montana, 1942

Going-to-the-Sun Mountain, Glacier National Park, Montana, 1942

Ansel Adams é um patrimônio norte-americano. Foi capaz de ver a riqueza natural de seu país como nenhum outro fotógrafo de sua época, observando a beleza de forma macrocósmica, exuberante, absoluta e, claro, registrando-a quase paradoxalmente – ou seja: em preto-e-branco, dispensando um dos elementos que o ambiente mais usa para embelezar-se: as cores. A fotografia, para Adams, é arte pura e, enquanto arte, precisa da sensibilidade do artista para ser veiculada. Caso contrário, é apenas registro, sem a função poética que apenas os grandes fotógrafos conseguem veicular.

Canyon de Chelly, Arizona, 1941

Kiersage Pinacles, King River Canyon, California

 Mount Moran, Teton National Park, Wyoming, 1941

Grand Canyon National Park, Arizona, 1942

Se você gostou e quer ver mais, é só clicar AQUI. Neste link será possível visualizar não somente o patrimônio natural, mas também as construções dos índios pueblos, feitas à base de pedra, adobe e outros materiais. Ansel Adams retratou-os de ângulos muito específicos, justamente para realçar a particularidade arquitetônica de um povo que ficou apenas na lembrança. Vale dar uma checada.