Sendo eu professor – e de Literatura –, faz sentido eu preferir comentar sobre essa espécie tão, digamos, desprezada. Eu explico o motivo do peremptório adjetivo: como a leitura tem-se tornado algo secundário, é também natural que a literatura pegue carona nesse desprezo. E alguns dos vetores literários (no caso, professores) são, grosso modo, vistos como indivíduos que falam para surdos — ou, pelo menos, para a massa desinteressada em quem foi Guimarães Rosa ou o que vem a ser uma hipérbole. A da linguagem; não a da geometria — que fique claro. Voltemos aos professores. Já ouviram falar de Alfredo Bosi? E de Bella Jozef? Não? Então, prepare-se. A propósito: são estes dois abaixo:

Alfredo Bosi é meu ídolo — desde que assisti, no início dos anos 1980 (eu, estudante de Letras e tentando me firmar como professor), a uma palestra de sua lavra, na USP. O tema, se minha memória não me faz tropeçar, era sobre a narrativa de Brás Cubas, a revolução machadiana. A clareza com que expunha seu ponto de vista e a facilidade em dissecar as ironias do velho escritor causaram-me um grande impacto. Foi uma epifania: se eu tinha dúvidas sobre levar adiante a profissão, a coisa se dissipou como fumaça infértil. A partir dali, quis ler tudo o que ele produzira — e num certo sentido, obtive êxito. Leio seus livros até hoje, e me divirto como se a leitura fosse inédita.
Terminei a releitura de alguns estudos de seu Céu, Inferno. Obra essencial, subintitulada Ensaios de Crítica Literária e Ideológica. Se você espera uma linguagem carregada de hermetismos, inversões gramaticais e referências obscuras que dificultam a compreensão do leitor médio — eu, no caso —, esqueça. Alfredo Bosi é de uma clareza invejável, dono e senhor de um estilo que privilegia a comunicação direta aos interessados no assunto. Os ensaios sobre Giovanni Verga e Luigi Pirandello são absolutos. Machado, João Cabral, Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda estão lá, entre tantos outros.
E quanto a Bella Jozef? Conhecida e reconhecida como uma autoridade em literatura ibero-americana, em A máscara e o enigma, publicado há 40 anos pela Francisco Alves, a autora vai além. Aborda os temas crítica, modernidade, semiologia, cultura de massas, arte (em geral) e vanguarda. É uma fera na análise precisa, arguta, de observações que injetam discussão ampla em ensaios curtíssimos. É um volume necessário a quem se interessa por literatura e pelas vertentes que dela brotem — isso sem falar das várias abordagens que tendem a ampliar o significado literário. Livro essencial, sim, a professores e a estudiosos do tema. Afinal, espera-se, continuem leitores.
O clássico História da Literatura Hispano-Americana, e os essenciais O Espaço Reconquistado e Romance Hispano-Americano são obras de interesse específico — isso é inegável. Como apreciar a literatura, de modo geral, sem levar a conta a expressiva originalidade de uma literatura feita na América Espanhola? Para muitos críticos — Bella incluída —, não há nada melhor nos últimos 150 anos. É possível que tenham razão, mas, no fim e ao cabo, cada um lê como quer, e como pode.
O disco é de 1973, pouco tempo depois de ter deixado as fileiras da banda de rock progressivo Yes. Aliás, a ideia progressiva foi mantida, com largos e intensos solos de teclado e uma bateria nervosa, como a do ótimo Alan White. E toneladas de sintetizadores fazendo a festa, sob a batuta de Mr. Wakeman. É um discaço, que teve origem na ideia de que cada esposa do monarca inglês era diferente uma da outra. O que tinham em comum: a cama, as ordens e a fúria de Henrique VIII. É um disco conceitual.
Se Rick Wakeman ou Henry VIII tinham uma preferida, não sei. Eu aprecio, dentre as seis, Katherine Howard. A música, claro. 
Michel Ciment é um dos maiores críticos de cinema no mundo. Ou foi, porque morreu há 3 anos, mas o que registrou na Positif
Ao menos 5 filmes do mestre são dissecados: 2001, O Iluminado, Laranja Mecânica, Barry Lyndon e Nascido para Matar. Há deliciosos 








Bobby Timmons morreu no dia 1º de março, há 42 anos. É um dos grandes pianistas de um gênero, o jazz, cujo instrumento
A faixa This Here, que se combina ao título do disco, é um primor. Alegre, precisa, suingada: é a antessala de um subgênero que Bobby Timmons ajudou a criar: o soul jazz, e foi um sucesso comercial de que pouca gente, no jazz, usufruiu. Talvez Brubeck; talvez Miles. Se não conhece, tecle 
Machado foi chamado de misógino por teóricos de segunda linha. Não compreenderam que suas mulheres eram uma clara oposição àquelas mocinhas que um suposto insosso Romantismo produziu e que foram, com o tempo, transformando-se em realistas. Lembram-se da alencariana Aurélia, em Senhora? Sim, aquela que comprou o marido por vingança e desejo. Pois o casamento com doses de conveniência social já havia brotado no machadiano A mão e a Luva. Quem leu leu – mas não se deve reler. É o mais fraco Machado.
Dona Carolina Augusta Xavier de Novais, cônjuge do autor, incentivava-o a criar mulheres fortes, voluntariosas e independentes (até certo ponto). Ajudou-o a escrever, já que era culta de berço, lia em inglês e francês, além de ter apresentado a Machado o Tristram Shandy, do padre anglicano Laurence Sterne. Há quem diga que o brasileiro plagiou o irlandês. É possível. Enfim, é papo para outra postagem. Voltando ao tema: esqueça aquela estranha ideia de que mulheres adúlteras existiam porque era assim a sociedade 
O texto Gota d’Água é uma leitura pós-moderna e urbana do texto clássico de Eurípides, uma adequação (com diferenças em relação à tragédia clássica)
Bem, essa é a ideia central do drama em versos criado pela dupla Chico Buarque e Paulo Pontes. Este último, um craque da dramaturgia. Chico, genial como compositor, colabora
Um espetáculo de beleza e potência, no qual se discutia desde a força capitalista