Em 1970, mês de junho, eu era um menino de oito anos. De costas para a tevê, enquanto o escrete brasileiro enfrentava a Checoslováquia — era o primeiro jogo do Brasil na Copa do México, em 1970 —, eu desenhava, dentro das minhas limitações, o Superman numa folha em branco. O gol de Petrás, atacante checo, fez minha mãe exasperar-se: não pelo gol do adversário, mas pela imagem do jogador benzendo-se catolicamente na lateral do campo, comemorando o tento. “Comunista não se benze!”, esbravejou. Essa é minha primeira lembrança da Copa 70, o torneio no qual o time brasileiro tornou-se campeão. Já atento ao jogo, vi o Brasil pulverizar os comunas.
A partir daí acompanhei os jogos ao lado do meu pai, fã de futebol, com quem aprendi sobre o assunto — do Cruzeiro de Tostão à mortal linha de ataque do Botafogo; dos passes de Gérson à patada atômica de Rivellino. E, claro, sobre o maior de todos os craques: o rei Pelé. Entre um jogo e outro, eu aprendia. Superman saiu de campo, e o futebol passou a jogar. Mas por que esse momento saudosista, neste texto? Porque assisti, via Netflix, à minissérie Brasil 70: A Saga do Tri. Cheguei a emocionar-me: voltar no tempo por meio de boas lembranças é um privilégio.

Bem, e a minissérie? É ótima, mesmo que os detratores afirmem que Pelé é interpretado por alguém 15cm mais alto. E daí? Rodrigo Santoro como João Saldanha? E daí, novamente? São detalhes — ou seja, não têm muita importância. O que vale é o feito: havia uma dívida do cinema brasileiro com o futebol doméstico. Apesar do ótimo Boleiros e do documentário Isto é Pelé, faltava uma obra capaz de mostrar o que representou a seleção brasileira principal num momento politicamente tão conturbado. Havelange é retratado como ele realmente era. E o sanguinário ditador Emílio Garrastazu, que aparece apenas como voz?
Gostei da minissérie — e gostei muito. Os lances de gol, com a câmera acompanhando a trajetória da bola até seu destino final são um achado. Aplausos para os diretores Paulo Morelli, Quico Meirelles e Pedro Morelli. E os jogadores? Pelé e Rivellino têm sósias. Zagallo e suas superstições dão o toque de humor. Saldanha enfrentando os milicos é um ótimo contraponto, e as cenas nos vestiários são absolutamente verossímeis, revelando as tensões, os receios e o trauma de 1950. Lamentei não haver imagens dos dois gols de Tostão contra o Peru, nas quartas de final, mas tudo bem. Vale assistir. Se você que lê é um sessentão — daí pra frente! —, e se apreciar o ludopédio, vai se emocionar também. Voltei a meus 8 anos, e isso foi bom.
Sou fã de boxe. Sempre que possível, assistia aos combates de Eder Jofre pela tevê, quando a nobre arte ainda não era demonizada (com certa razão) pela medicina e pelos puritanos. Claro: também era fã de George Foreman e de Joe Frazier, mas o grande astro desse esporte era Cassius Marcellus Clay. Ou, como exigiu ser chamado após converter-se ao Islã, Muhammad Ali. Li O Rei do Mundo logo que veio a público, traduzido. É ótimo 
Eis a questão: o que Caetano Veloso, presente no título desta postagem, está fazendo aqui? Eu explico. Em 1977, quando eu ainda não me ligava à MPB, minha querida amiga Izinha 

Filmes sobre esporte são especialidade dos americanos. Ninguém faz como eles, principalmente quando eles mostram a si mesmos como figuras heroicas cujos esforços desembocam na fama, no sucesso e, claro, naquilo que eles mais prezam: a grana. Assisti a Arremessando Alto, filme da Netflix em que Adam Sandler brilha como um olheiro de basquete que odeia futebol. O futebol inventando pelos ingleses e praticado em toda a superfície terrestre, aquele que eles chamam de soccer.









