
Vivo estivesse, Prince teria feito 60 anos neste mês de junho. Um artista completo, de quem Miles Davis, um de meus ídolos, disse ser o Duke Ellington dos anos 1980. Miles podia ser um tanto polêmico quando queria, mas, nesse caso específico, creio que nem sequer tenha exagerado. Prince, guitar hero, gênio excêntrico, chegou-me da forma que deve ter chegado à grande maioria de seus hoje fãs: Purple Rain, o álbum duplo de 1984, em companhia da banda The Revolution. Um discaço que possuo até hoje, bolacha, carregado de rhythm & blues, de precisão artística, de pop rock de qualidade inequívoca.

Esta postagem tem dois lados, como um bom vinil: há 50 anos vinha ao mundo The White Album, também duplo, da mais importante banda pop que existiu ou existirá: The Beatles. Não é sobre ela que quero falar, mas sobre um de seus quatro integrantes – George Harrison -, aquele que escreveu a de início subestimada While My Guitar Gently Weeps, canção genial de origem filosófica, em sétimo lugar no lado A, com Eric Clapton dando uma canja mesmo sem a aquiescência inicial dos dois ególatras Lennon e McCartney.
E agora, juntando tudo: em 2004, durante a cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, Prince homenageia George Harrison em companhia de Tom Petty, Jeff Lyne, Steve Winwood e Dhani Harrison, filho de George e inacreditavelmente parecido com o pai. A canção While My Guitar Gently Weeps nunca foi tão bem tratada – nem por seu dono. Nem por Clapton. Se você duvida, assista ao vídeo abaixo:
Veja tudo, mas, se quiser checar do que Prince é capaz, ouça a partir de 3:28. Sim, O Príncipe é um dos melhores. Naquele grupo, por exemplo, não tinha rivais, e olhe que Marc Mann, grande guitarrista, está lá, fazendo um solo muito parecido com o de Clapton da gravação original. Prince sai das sombras, aparece nos 3 minutos finais de apresentação, e rouba a festa. Vale ouvir, sim.
Fantástico, Grijó!
While My Guitar Gently Weeps é uma das minhas preferidas do George, junto a Handle With Care. Essa versão com Prince e Winwood eu não conhecia! A versão do Concert for George, de 2002, me emociona e me arrepia SEMPRE, por contar com Eric Clapton e com Paul. Passei a adolescência ouvindo esse tributo e, como gosto muito da galera do Traveling Wilburys também, pra mim, ele é todo perfeito.
Adorei conhecer essa versão de 2004, com outros dois grandes. Valeu!
Bom.
Vc mencionou uma banda sobre a qual quero escrever em breve: Traveling Wilburys.
Em breve.
Prince tinha brilho próprio, era diferenciado. Repare aos 4:44, o violonista deixando de curtir a música para apreciar o show à parte que é Prince. E Harrison, ao meu ver, não passa de um guitarrista mediano. Lennon e McCartney eram insubstituíveis, a banda não funcionaria sem eles… e poderia muito bem ser a mesma sem George.
A próposito, Grijó, se você acha Lennon apenas ególatra, sugiro que assista “Nowhere Boy” (O Garoto de Liverpool) haha. Segue o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=I0Qu62_vPbo
Abraço!
Opa: eu não disse que ele era “apenas” ególatra. Era carismático, escrevia razoavelmente e tinha presença de palco.
Gosto do Lennon.
McCartney, esse, sim, era essencial. A musicalidade dele é algo sobrenatural, assim como é especialíssima a força melodiosa de várias canções de Harrison. Concordo que era um guitarrista mediano, mas funcionava bem.
Por falar em funcionar, Ringo Starr tocava mal, mas quem poderia ser o batera dos Beatles? Keith Moon? Bonzo? Alan White?
Não. tinha de ser Ringo, porque funcionava ali.
Sim, já vi “O Garoto de Liverpool”. Bom.
Não completei a frase, falha minha. Se você o acha apenas ególatra, assista o filme que você vai ver que ele era mimado, irresponsável, vândalo, etc, haha.
Mas, sim, de fato ele carismático e cativava por onde passava, era um bom “frontman”.
Keith Moon nos Beatles? Seria no mínimo curioso! Beatles era pop demais para a sua loucura e o seu batuque.
Há uma história – alguns dizem ser falsa, ou imprecisa – de que chegaram para Clapton e perguntaram quem era o maior de todos os guitarristas. Clapton teria dito: “Não sei, pergunte a Prince!”
Frase ambígua.
While my guitar gently weeps realmente é um grande clássico, com uma linha de guitarra que não tem onde colocar um mísero defeito, Clapton é um gênio. Uma coisa que me encomoda as vezes é o fato do Clapton ter criado 70% das linhas de guitarra que Harrison tocava, como em “I’d Have You Anytime” mas quem sou eu para contrariar.
Minha recomendação para você é de um cara um pouco mais novo mas que simplesmente tem sido considerado um dos melhores guitarristas atuais (até mesmo pelo Clapton) chama-se John Mayer, não sei se o senhor já ouviu falar https://youtu.be/3ZyxyehN_Qk
Claro. John Mayer é muito bom! Gosto muito do disco dele ao vivo, “Where The Light Is”.
A relação entre Harrison e Clapton é meio estranha – desde a música até as mulheres.
Mas eram grandes colaboradores e grandes amigos.
Valeu o link!