As pin-ups de Mr. Elvgren

No último 15 de março Gil Elvgren fez 100 anos, embora, oficialmente, tenha sido enterrado há mais de 4 décadas. Deu para entender? Não? Eu explico o óbvio. A arte imortaliza seu criador, de modo que o extraordinário talento desse artista plástico — um desenhista e pintor de primeiríssima linha — faz dele uma figura que ainda vive. Se você não sabe de quem estou falando, vai saber agora. Gil Elvgren (nascido Gillette Alexander Elvgren) foi quem melhor nos apresentou as pin-ups. Se você também não sabe o que é uma pin-up é só olhar abaixo:

Mulheres com sex-appeal de fazer os machos babarem na gravata. Belas em cenas cotidianas, representadas por mulheres brancas porque seus consumidores eram wasps que escondiam a vergonha a sete chaves. Não sei como reagiriam se Mr. Elvgren resolvesse transformar mulheres pretas em símbolos sexuais desenhados. As dificuldades temporais eram claras: os norte-americanos anos 1940, quando suas mulheres ofuscaram a guerra, não combinavam com a beleza de uma minoria hostilizada e segregada. Lamentavelmente, porque seria uma grande festa de beleza e miscigenação.

Os cabelos castanhos — de preferência claros — eram uma marca frequente das mulheres de seu estado de origem, Minnesota. Ruivas e morenas também figuram no panteão vulgívago de um pintor que parecia limitado a um segmento específico de desenho — e que limitação! As pernas, quase sempre longas e firmes; o nariz simétrico, cabendo perfeita e adequadamente ao rosto levemente arredondado e cuja marca irresistível eram os lábios, avermelhados e fazendo “biquinho”. Pin-up é isso. É clichê, e levantemos as mãos ao céu por um clichê como esse existir.

Elvgren ficou rico. Fez trabalhos para a Coca-Cola e para a General Electric. Ilustrou histórias para o Saturday Evening Post e para a famosa e influente publicação Good Housekeeping. Sem contar as publicações esparsas pelas quais cobrava valores mais altos do que o mercado comumente cobrava. Bem, sendo ele o único com aquele traço, seu preço era diferenciado, mesmo sendo ele influenciado confesso por cobras como Charles Dana Gibson, Howard Chandler Christy e Andrew Loomis. São craques mesmo — é só clicar nos nomes para confirmar.

O processo criativo não era complexo. Após fotografar a modelo na posição desejada, transformava a fotografia numa pintura. As  modelos, instadas a protagonizar cenas quotidianas, eram transformadas em arte — e os homens, agradecidos (como eu), batiam palmas. Aparentemente fácil de fazer. Se você, sexto ou sétimo leitor, tiver talento, pode tentar. Acho que é melhor não.

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AQUI, um aperitivo.

12 opiniões sobre “As pin-ups de Mr. Elvgren”

  • 12 de maio de 2024 em 17:11
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    Muito obrigado pela aula, excelente conteúdo e aprendizado. 👏🏼

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  • 12 de maio de 2024 em 17:26
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    Embora eu conheça as imagens, não sabia a classificação. Vim saber hoje o que é pin-up.
    Thanks

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  • 12 de maio de 2024 em 18:06
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    Realmente, fico aqui a imaginar, quão maravilhoso seria se “Mr. Elvgren resolvesse transformar mulheres pretas em símbolos sexuais desenhados”.
    Parabéns! Belas mulheres, belas imagens.
    Excelente!
    Cenas cotidianas em arte!? Transformar uma fotografia em arte!
    Genial.

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  • 12 de maio de 2024 em 21:22
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    Um homem pai de quatro (4) filhas a louvar as adoráveis pin -ups ? Sem pobrema (sic). As moças eram mesmo sedutoras. Ainda garoto , e agora perto do 69, a admirá-las em revistas da época, também me tranco no WC. Mas essa reclusão é pura mania que prefiro conservar. Hodiernamente, essas e outras moças estão à mostra em inúmeros sites da rede mundial., a tal WWW. Qual sempre, mais uma vez pude fruir de um texto opinativo desse intrépido F. Grijó. Agora, no entanto foi bem mais prazeroso, muito além daquele prazer nomeado por Barthes.

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  • 12 de maio de 2024 em 21:51
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    Mesmo sem saber as origens, sempre adorei essas gravuras das pin-ups. Agora aprendi mais sobre essas beldades.
    Valeu Grijó!

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  • 13 de maio de 2024 em 17:54
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    Eternamente inspiradoras!

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