O Melhor do Jazz #5: os quartetos

O melhor quarteto de jazz é, na verdade, um quinteto. É opinião pessoal e a mantenho há quantos anos? Uns 30. O quinteto de Miles Davis (com John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones). Alguns dos discos são obras primas, daquelas obrigatórias em qualquer lista. A classificação, entretanto, nesta postagem, relaciona-se a quartetos, não necessariamente à formação sax, piano, bateria, contrabaixo. Pode haver variações.

A Love Supreme é das melhores coisas que o jazz produziu. É o máximo de John Coltrane, tanto espiritual e comercial quanto artístico. É seu ponto culminante, um olhar para si mesmo tendo Deus como guia. Não, não é obra gospel. É uma jornada musical de 33 minutos com a melhor formação possível em quarteto: McCoy Tyner, piano; Jimmy Garrison, contrabaixo; Elvin Jones, bateria. Todos eles magistrais, literalmente mestres em seus instrumentos. Um disco notável, dividido em quatro partes que, juntas, formam um totem musical: Acknowledgement, Resolution, Pursuance e Psalm. AQUI, o disco completo.

Tenor Madness é o único disco em que Sonny Rollins e John Coltrane se encontram – e mesmo assim em apenas uma faixa – a que dá título ao disco. Consta que Rollins havia contratado a sessão rítmica de Coltrane para o disco (Garland, Chambers e Joe Jones) e, já no estúdio, soube que o amigo havia ficado no carro, dormindo. Mandou chamá-lo e, sem que houvessem ensaiado, gravaram a faixa-título. Verdade ou não, é o que se conta – e tenho certeza de que é uma situação plenamente possível. O disco é um espetáculo, em especial Tenor Madness, com 12 minutos, e Paul’s Pal, uma homenagem de Rollins a Chambers. AQUI o disco inteirinho. E o mais interessante: você pode ouvir o mais bem acabado casamento entre harmonia (Coltrane) e melodia (Rollins).

The Modern Jazz Quartet. European Concert (Remastered) - Compilation by John Lewis | SpotifyQuando listei os meus preferidos discos ao vivo, sofri por deixar European Concert, do  Modern Jazz Quartet, de fora. É um disco sublime, em que John Lewis, o pianista mais elegante do jazz e líder do grupo, está inspiradíssimo. O contrabaixo (Percy Heath), o vibrafone (Milt Jackson) e a bateria (Connie Kay) não ficam atrás. É, dos que conheço, o melhor disco desse escrete. Os diálogos entre vibrafone e piano – os contrapontos harmônicos de Lewis são sensacionais! – são coisas para serem ouvidas no Céu, quando minha hora chegar. Destaque para Django (clássico do grupo), ‘Round Midnight, I Remember Clifford e I’ll Remember April. Uma beleza. Aliás, 15. AQUI você comprova o que digo.

Dave Brubeck é um patrimônio do jazz. E seu quarteto também, mesmo que tenha havido variações em seus personagens. A formação básica, fundamental, traz Paul Desmond, no sax alto; Joe Morello, na bateria, e Gene Wright, no contrabaixo. Todos geniais. Agora ponha esses senhores para tocar a música do maior de todos os compositores norte-americanos, Cole Porter. Tudo bem: são apenas oito faixas, o que é um pecado deixar de lado ao menos 20 composições importantes desse gênio da música. Por outro lado, estão presentes Love For Sale, Night and Day, What is This Thing Called Love, I Get a Kick Out of You e Just One of Those Things. Não, não é pouco. Dave Brubeck é um dos principais pianistas do jazz. Paul Desmond é o mais cool dos saxofonistas. Para muita gente, Joe Morello é um deus. E Gene Wright é uma fera domada apenas pelo piano do mestre. AQUI, esse discaço.

Chico Hamilton e Carson Smith são duas figuras conhecidas no mundo do jazz. O primeiro é um baterista de primeira; o baixista, competente e sério, é daqueles profissionais com quem todos apreciariam tocar. Pois esses dois + o sax barítono Gerry Mulligan e o trompetista Chet Baker, criaram um quarteto (sem piano) que está entre as grandes formações do jazz. As gravações de The Lady is a Tramp, Moonlight in Vermont e My Funny Valentine são definitivas. Mulligan é o melhor em seu instrumento. Chet é Chet – e ponto.

 

5 opiniões sobre “O Melhor do Jazz #5: os quartetos”

  • 1 de fevereiro de 2018 em 15:07
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    Não sei se o Jose Garibaldi concordaria? Por acaso estou lendo no momento “Dois graus a leste, três graus a oeste”. Maravilha para quem gosta de papear jazz.

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    • 1 de fevereiro de 2018 em 19:32
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      Garibaldi, Manuela, é um ouvinte ortodoxo. Conhece jazz, mas é preconceituoso, embora nunca deselegante. Desaprova Coltrane, contudo. Principalmente na sua fase (dele, Coltrane) mais, digamos, espiritual.
      Creio que aprovará os discos do MJQ e do Mulligan-Baker. Mas é so!
      É meu querido amigo, todavia.

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  • 1 de fevereiro de 2018 em 22:24
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    Deixar de fora qualquer quarteto de T. Monk é uma afronta…

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  • 28 de março de 2020 em 16:25
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    Teu blog é ouro. Adorei os posts sobre jazz, vou continuar visitando.

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  • 2 de dezembro de 2020 em 04:21
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    Concordo com o Belard ai em cima, como deixar um qtt de Monk de fora?

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