Leitura para as férias (autopropaganda com sinopse)

Resultado de imagem para fama volat francisco grijóConhece FAMA VOLAT, romance policial cujo cenário é Vitória, ES?

Não? Pois você pode conhecer a partir DAQUI.

Ou DAQUI.

Sinopse? Aí vai: duas mulheres – uma delas, marchande – são assassinadas no apartamento em que passam férias, em Vitória. O detetive encarregado do caso encontra ligações entre o duplo homicídio e o tráfico internacional de obras de arte. Descobre também a possível existência da Fama Volat, uma organização internacional que comercializa itens únicos ligados a várias artes (da pintura à música, dos livros aos filmes raros etc.). Sim, uma organização internacional cujas ramificações estão nas grandes cidades – mas também nas pequenas, como Vitória. Há crimes, há empresários, advogados, colecionadores, detetives. E há você, leitor, para testemunhar tudo. Boa leitura!

Se você já leu e quiser deixar um comentário – seja elogio ou crítica -, será muito bem vindo. Agradeço!

Em breve, em E-BOOK, a versão em INGLÊS.

 

 

Há 7 anos, uma crônica

Pois é. Fiquei um tempo sem aparecer. Problemas estruturais, que atingiram boa parte dos blogues do OPS! Estou de volta.

Hoje faz 7 anos que publiquei minha primeira crônica em A Gazeta, jornal local. Escrevi mais de 120, em 5 anos de atividade quinzenal, com interrupções. O título: Woody, Machado & as crianças francesas. Como uma homenagem a mim mesmo, uma espécie de cabotinismo improvisado, aí vai:

“Imagine que um determinado livro, ao ser lido, tenha impactado seu leitor de forma tão impressionante que esse mesmo leitor passe a citá-lo quando lhe perguntam quais as obras de sua preferência. Isso é plenamente possível – eu diria até corriqueiro. Woody Allen, o cineasta norte-americano, confessou ao jornal inglês Guardian que Memórias Póstumas de Brás Cubas, do autor carioca Machado de Assis, foi um dos cinco livros que mais influenciaram sua carreira. Isso também é plenamente possível, já que a obra – o título traduzido, Epitaph of a Small Winner, é muito melhor – é tremendamente bem escrita e, para os moldes da provinciana literatura brasileira da época, de uma inventividade sem precedentes. O que me causa espécie é o fato de Woody Allen, tão impressionado com o livro citado, não tenha buscado ler outras obras de Machado. Ou, por outra: não há registros de que ele tenha mencionado, por exemplo, Philosopher or Dog?, que é o título inglês do mais bem acabado livro de Machado de Assis, Quincas Borba.

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Eu me lembro de que, em meados dos anos 80, após ter lido Bem-vindo à Casa dos Macacos, de Kurt Vonnegut, Jr., numa daquelas edições mal traduzidas da Artenova, passei a garimpar, em sebos principalmente, livros desse autor com uma urgência que mal cabia no discurso, já que nem eu mesmo sabia exatamente por que se tornara necessário ler todos os seus livros. Hoje, compreendo que a busca por outros livros de um autor nada mais representa do que a manutenção de um diálogo que se estabeleceu na primeira leitura e que se deseja contínuo, arrastando-se por outras obras até que o leitor, por motivos que dizem respeito somente a ele, queira dar um fim a esse, digamos, bate-papo.

E por falar em diálogo, e também em Machado de Assis, tenho-me incomodado com uma questão, que certamente se liga Mr. Allen. Simples: creio eu que o cineasta, já que afeito à palavra escrita, tenha-se relacionado com o texto machadiano de forma adulta – ou seja: leu-o com a maturidade necessária a uma compreensão que favorece não somente o leitor, mas também o texto. Em outras palavras: os livros do autor carioca – assim como acontece com vários outros autores – exigem daqueles que os leem um certo costume de boa leitura, uma apreensão criteriosa do texto literário, uma intimidade com textos que desafiem o leitor. Isso não retira, em absoluto, a possibilidade de ler tais textos como passatempo, hobby. Fiquei sabendo, há uns dois anos, que o texto machadiano Conto de Escola havia sido, numa tradução, adotado para crianças francesas de 8 a 10 anos de idade.

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Eis a questão: será que crianças nessa idade, mesmo que bem orientadas por professores tarimbados, têm condições de perceber o pessimismo irônico de Machado e, mais ainda, que a corrupção pode ser fruto circunstancial da infância? Refrescando a lembrança: o personagem central do conto – e também seu narrador – é um menino de nome Pilar, que aceita dinheiro de um colega para fazer-lhe um trabalho escolar, mas que, ao final, por circunstâncias alheias a sua vontade, acaba ficando sem o pagamento. Se possível fosse, o menino manteria consigo a quantia obtida com a venalidade. Não há esperanças para ele. O destino está traçado. Sem contar que a corrupção, no conto, tem um viés sensual que desafia qualquer professor a traduzi-lo para crianças – francesas ou não.

Ler Machado de forma superficial é um pecado de escala estratosférica. Por outro lado, é sempre bom saber que um escritor de sua envergadura aproxima-se de leitores infantis. Desmistifica-se, então, a ideia de que a literatura brasileira do século XIX é inacessível à garotada. Mas o que pergunto é se a coisa funciona. Aquele sutil questionamento sobre moralidade, as nuances que proporcionam breves confusões ao leitor, as obliquidades, o camuflado deboche às instituições – haverá uma tradução francesa capaz de captar essa atmosfera? Pode até ser, mas crianças de 10 anos serão capazes de perceber isso? Se não, quem perde, de fato nessa história, é o texto.”

 

De volta, mais uma vez

Pois é: o Ipsis Litteris está de volta, após alguns anos desativado, não por vontade de seu chefe e gestor, mas por conta e risco de um hacker que, sabe-se lá por quê, resolveu vilipendiar meu quintal. Não vou lamentar mais. De lá para cá o Ipsis Litteris não se modificou muito. Continua a veicular a opinião pessoal de seu dono – no caso, eu – sobre cinema, literatura, música, quadrinhos, fotografia, arte em geral. É muito assunto: uma vastidão que, se bem articulada, tornará este blogue um local cujo acesso será satisfatório para ambas as partes. É o que eu espero.

Nunca desconsiderei uma verdade: o maior patrimônio de um blogue é a qualidade dos comentários sobre ele (ou sobre a postagem). Sempre tive isso em alta conta. Sem trocadilhos, foram quase 12 mil comentários em 7 anos de vida útil – o que equivale a mais de 1.700 comentários/ano. Isso é muito em se tratando de um blogue que não versa sobre maquiagem, alimentação low carb, ginástica localizada, vídeos adolescentes ou hip hop. Gosto dos comentários. Aprendo com eles, principalmente quando, honestos, propõem-se a colaborar para que a informação não descambe para a banalidade, para as inequívocas bobagens. Nestes quatro anos em que estive distante do Ipsis, publiquei dois livros, que se tornam brindes aqui, nO Pensador Selvagem. São eles Todas Elas, Agora (volume de contos) e Os Mamíferos – crônica biográfica de uma banda insular (biografia). Ei-los em capa:

  

Em breve estarão nas mãos (e nos olhos) dos leitores. Escrever continua a ser um ato de amor – e de sobrevivência. Mas é preciso divertir, evidentemente. Um dos motivos que levam o Ipsis Litteris a essa ressurreição é a poderosa aliança entre amor, entretenimento e sobrevivência. Não, não me perguntem como consigo aliar tais substantivos, como os torno íntimos, quase xifópagos. Não sei explicar, mas talvez a literatura, per si, saiba. Perguntemos a ela. Espero que ao menos aqueles que conheceram os bons tempos do Ipsis Litteris estejam felizes com sua volta. Eu estou – e espero continuar.