Mulheres #10: Jacqueline Bisset

Algum leitor deste blogue assistiu a A Noite Americana? Como você não pode, na postagem, responder positivamente, vou imaginar que o leitor assistiu, sim, e várias vezes. A primeira, porque era François Truffaut o diretor: tão badalado quanto competente, um dos grandes nomes do cinema francês. A segunda, a terceira, a quarta e as tantas outras, por um outro motivo: Jacqueline Bisset, esta mocinha abaixo representada, esta beleza plástica que entorpece olhares de ambos os sexos:

Os dez melhores filmes de François Truffaut

A Noite Americana é um ótimo filme: metalinguagem, sensualidade, cinema puro. Não foi, entretanto, o filme que me apresentou essa belezura, e sim O Fundo do Mar, uma película meia-boca de Peter Yeats, que pegava carona no sucesso de Tubarão, de Spielberg. No filme ela contracena com o sempre ótimo Robert Shaw. AQUI você confirma como ela consegue reunir máxima beleza e aparente fragilidade.

Feliz aniversário, Jacqueline Bisset! - Blog de Hollywood

Pictures & Photos of Jacqueline Bisset in 2023 | Jacqueline bisset, Jacqueline, Jacqueline bissett

Claro, claro: que lê deve perguntar: E Bullitt? Bem, o filme é um clássico do final dos anos 1960, traz o mitológico Steve McQueen no papel principal masculino e, claro, a luminosa Jacqueline Bisset, no papel de Kathy, namorada de Bullitt. McQueen, notório galanteador e sátiro de primeira linha, dizia que a atriz era tão bonita que o fazia sofrer. Não se sabe se com essas palavras conseguiu algo mais do que contracenar com Jacquie, como ele mesmo a chamava.

O melhor filme de que participa – em singelíssima opinião -, e no qual mantém sua beleza refulgente (e capacidade dramática), é A Sombra do Vulcão, de John Huston. Aos 40 anos, madura na plástica e no desempenho dramático, participou de uma história tensa, marcada por triângulo amoroso, reconciliações e ambiente hostil. AQUI você assiste ao trailler. É melhor ver o filme inteiro, contudo.

Flick Review < Under the Volcano | John Huston, 1984 - C o c o s s e

Há quase dez anos, Jacqueline Bisset esteve no Brasil. Veio participar, como convidada especialíssima, do lançamento do filme Bem vindo a Nova York, em que faz o papel da esposa de Dominique Staruss-Khan, acusado de estuprar uma camareira guineense. O episódio teve repercussão internacional e o cinema, arte oportunista (ainda bem!), fez a parte dele. A atriz esteve diante de Jô Soares, o apresentador, para promover a película. AQUI você assiste à entrevista.

worldphotographs Jacqueline Bisset 10x8 Photo : Amazon.ca: Home

Jacqueline Bisset Talks Bizarre Golden Globes Speech - E! Online - CA

A inglesa Jacqueline Bisset fez alguns filmes ruins – que não merecem menção nesta postagem. Aqui, ao menos das mulheres escolhidas, só se fala bem. A questão é que, mesmo nesses filmes – cujos roteiros são sofríveis ou os coadjuvantes mereceriam o esquecimento -, a beleza e a refulgência dessa atriz, aliadas a suas competentes atuações, fizeram tais películas merecerem uma checagem. Poucas atrizes – e atores, por que não? – possuem essa prerrogativa. Neste primeiro dia de outubro, fique com Mrs. Bisset.

The Deep Jacqueline Bisset 1977 Photo Print - Item # VAREVCMBDDEEPEC016H - Posterazzi

Sem Bruce (há 50 anos)

 

No último 20 de junho: o cinquentenário de morte de Bruce Lee. Sou fã, e já disse isso. Certo, certo: era um péssimo ator, os filmes eram sofríveis – exceção para Operação Dragão -, os coadjuvantes tinham, assim como ele, a expressividade de um copo de guaraná e as histórias não faziam muito sentido – mas e daí? Quem ia ao cinema não esperava que Mr. Lee fosse Laurence Olivier, nem que as histórias tivessem a (chata) profundidade simbólica de filmes na Nouvelle Vague. Queriam, como eu, testemunhar as cenas de ação, os chutes, os voos, a pancadaria e, claro, os uivos peculiares do maior astro de ação marcial do cinema.

Durante a adolescência, assisti a quatro dos cinco filmes que estrelou. Deixei O Jogo da Morte para bem depois, em videocassete, mas as películas que estrelou como Dragão nos cinemas brasileiros foram vistos por mim com o fanatismo de um crente ensandecido. Claro: assisti a tais filmes algum tempo após terem sido feitos, até porque à época do lançamento da primeira aventura eu tinha apenas 9 anos. Confesso que ter assistido ao embate entre Lee e Chuck Norris nas ruínas do Coliseu, nos últimos minutos de O Voo do Dragão, foi quase uma epifania. Não conhece a cena? Duvido. De qualquer forma, AQUI está. É um show, um balé. E um gato como juiz.

Os filmes de Bruce Lee me levaram às artes marciais: lutei judô e caratê na adolescência. Nunca fui grande coisa como atleta, até porque não levei a coisa muito a sério, não obstante ter vencido alguns bons embates e faturado umas medalhinhas. Os filmes funcionavam mais ou menos como a fantasia do que eu (nunca) poderia ter sido, mas o desejo era pertinaz, embora nada se fizesse para concretizar o que se pretendia. Coisa de menino diante do herói que elegeu para modelo que não seguiu. O mesmo aconteceu com Pelé e Superman – mas isso é papo para depois.

Réquiem para Bruce Lee em Cannes - Estadão

 

Hoje, aos 61 anos, volta e meia me deparo com os filmes estrelados por Bruce – todos eles fazendo parte do plantel dos telecines da vida, sendo apresentados à garotada sem qualquer reverência ou solenidade, como se não passassem apenas de mais um filme em que um chinês enche os branquelos de porrada. Espanca também outros chineses, sem qualquer misericórdia conterrânea. Jackie Chan, Jet Li, Mark Dacascos e até Keanu Reeves (que é, na verdade, libanês e não se parece com um oriental) têm mais apelo com a meninada. Que tal perguntar aos citados senhores qual a inspiração? Tenho certeza de que concordarão em pelo menos um nome.

Filmes (re)vistos #9: O Vento será tua herança, 1960

Um tipo de filme em que os americanos são imbatíveis: filmes de tribunal ou, como querem os nativos puristas, legal films. Há grandes películas, não se pode (nem se deve) negar: O Veredito e 12 Homens e uma sentença, ambos de Sidney Lumet; O Sol é para Todos, de Robert Mulligan; Testemunha de Acusação, do sempre genial Billy Wilder, e o brasileiro O Caso dos Irmãos Naves, de Luis Sergio Person. Todos grandes filmes. Há muitos outros, claro, mas nenhum – a meu ver – supera O Vento será tua herança, de Stanley Kramer, em cartaz numa dessas tevês por assinatura. E se o naturalista Charles Darwin mostraria o polegar, concordando comigo.

Vídeo: O Vento Será Tua Herança continua atual

O que Darwin tem a ver com o filme? Bem, o enredo é simples: professor de uma cidade pequena é condenado por ensinar aos alunos a Teoria da Evolução. Uma lei estadual, escrita e sancionada por criacionistas, não permite que o Evolucionismo interfira na educação bíblica dos alunos. Toda a cidade está contra o professor. Em seu desespero, e sem dinheiro para pagar um bom advogado, pede ajuda a um jornal de Baltimore – que, progressista, contrata um grande advogado para defendê-lo. Esse grande advogado é um dos maiores atores de Hollywood em qualquer época: Spencer Tracy (de cabelos brancos, na foto).

Não menos notável é Fredric March, interpretando um político oportunista que ajuda o promotor a tentar mandar de vez o professor para o xilindró. Quer mais? Gene Kelly – sim, o grande bailarino do cinema (abaixo, de colete) – faz o papel de E.K. Hornbeck, jornalista que vai cobrir, de forma cínica e debochada, o Julgamento do Macaco, como ficou conhecido o caso (verdadeiro) em que o filme se baseou. Não, Gene Kelly não dança, no filme. Está ótimo sem requebrar-se, fazendo as vezes de Henry Louis Mencken, o mais temido jornalista norte-americano da primeira metade do século XX. Já escrevi sobre ele AQUI.

Tesouros da Sétima Arte - "O Vento Será Tua Herança", de Stanley Kramer

Como sou um homem de letras, aprecio diálogos – aliás, são eles o grande trunfo do filme. A bem da verdade, filmes de tribunal sustentam-se na palavra, no raciocínio, na loquacidade, na esperteza do advogado e/ou do promotor. Bem, a estrutura da Commom Law americana ajuda esse tipo de fita, permite que as habilidades dos causídicos sejam a grande atração. Em O Vento será tua herança é isso que conta. É um embate raro de se ver nos filmes – a não ser naqueles excepcionalmente inteligentes.

AQUI, o trailer, com legendas.

Filmes (re)vistos #8: O Baile, 1983

Para muita gente, Grease – ou Nos Tempos da Brilhantina – é o melhor musical já feito. Inegavelmente simpático e uma estrondosa máquina de fazer dinheiro, o filme tem um trunfo: o rock, gênero que a juventude preza e consome. Escrevi sobre musicais: quem quiser pode verificar AQUI. Mas por que estou falando sobre essa vertente cinematográfica? Porque assisti, mais uma vez – dentre tantas -, ao filme O Baile, do italiano Ettore Scola – para mim, obra-prima, daquelas que quem ama o cinema precisa assistir diversas vezes. Tenha certeza: o cansaço passa longe.

O Baile - Cenas de Cinema - Crítica do filme - Clássico

O Baile é o que é: um baile – ou seja: um evento em que música e dança unem-se para para entreter quem por ali se encontra. No caso, o filme vai além, porque seu objetivo (se é que precisa ter um) é contar a história da França a partir da união entre as duas artes citadas, conectando-as a suas causas e consequências: a cultura, o costume, o tempo, a história. A ousadia da película reside no fato de que palavras não são tão necessárias à comunicação. Música, gestos, comportamento e talento para unir tudo isso, sim.

O filme fará quarenta anos em dezembro – data de seu lançamento. Scola é craque: fez Nós que nos amávamos tanto e Feios, sujos e malvados. Só isso já lhe justificaria a celebridade, e seria suficiente para que não se sentisse na obrigação de dirigir a ótima comédia O Jantar. Voltemos, pois, ao baile. Há quem diga que, sem palavras, é impossível contar uma história. Balela de diletante, claro. Ettore Scola parte da ideia do contrário, transformando em narrador a combinação de cenário, vestimenta, gesto, expressões faciais e, claro, música. Sem legendas – porque elas são, aqui, desnecessárias -, a narrativa funciona: é poética, é engraçada, emotiva.

Cinco filmes para conhecer Ettore Scola | GZH

As referências culturais, sublinhadas pela coreografia e pelos variados gêneros musicais, são expostas como um banquete sobre a mesa: todas as iguarias juntas, mas é possível eleger aquela que mais agrada, que mais se destina ao espectador que, tenha certeza, participa, a seu modo, da atmosfera que a música e o movimento provocam. Nem tudo é alegria, claro. Por exemplo: uma das cenas mais tocantes da película é o repúdio do(a)s dançarino(a)s – que batem os pés no assoalho, repetidamente – a um personagem vestido de preto (cicatriz num dos olhos), que levanta a mão numa menção ao nazismo. Eis a resistência. Esse é Scola.

A propósito: é possível assistir ao filme AQUI.

Carson McCullers revisitada

Gosta de ver Marlon Brando em ação?  E Elizabeth Taylor, tão bela que chega a doer os olhos? E os dois juntos, num filme dirigido por John Huston? Pois é: essa situação existe, e se chama – no Brasil – O Pecado de todos nós, um ótimo filme cuja temática gira entre homossexualidade reprimida, frustração no casamento e militarismo. No original, o título é Reflexo num olho dourado, e é baseado no romance homônimo de uma escritora pouco celebrada no Brasil, Carson McCullers. Uma cena congelada do filme:

Reflections in a Golden Eye: a “hothouse tale” of desire and simmering  violence | Library of America

Não é, entretanto, sobre a película que quero falar, mas sobre Carson McCullers, essa extraordinária escritora que morreu há exatos 55 anos, e que escreveu ao menos duas obras-primas: A Balada do Café Triste e O Coração é um caçador solitário, ambas lidas por este que vos fala no final dos anos 1980, quando eu ainda não tinha a certeza de se havia ou não melhor literatura, no século XX, do que a norte-americana. Hoje, tenho: não há, mas isso é apenas uma opinião. Ei-la:

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Livro: O Coração é um Caçador Solitário - Carson Mccullers | Estante VirtualSou fã da criatividade na estrutura textual – desde que não desprivilegie a história. Em O Coração…, cada capítulo traz o ponto de vista de um personagem diferente, embora o centro de tudo seja a personagem central: um homem surdo-mudo cujo nome é marcado pela ironia: John Singer. É visto como símbolo da beatitude numa cidade do interior, em que alguns selecionados moradores têm suas vidas expostas com habilidade ímpar pelo talento de McCullers. Um livro imenso, um texto que deveria ser obrigatório a todos aqueles que amam (ou dizem amar) a literatura. Há um filme – a que não assisti – baseado nele.

A Balada Do Cafe Triste - 9788525010261 - Livros na Amazon BrasilA Balada do Café Triste é um volume de contos. Na verdade, o conto-título é uma noveleta cujo tema é um triângulo amoroso composto por 3 figuras marginais: um anão, uma esposa abandonada e seu ex-marido, que retorna à cidadezinha para perturbar a vida de todos. Contos como Wunderkind, O Transeunte e Um Dilema Doméstico são pequenas obras-primas de leitura fácil, justamente porque deve ter dado um trabalho danado escrevê-las. Se puder, leia tudo – e de uma tacada. Para ficar, na memória, com o gosto de Carson McCullers durante um bom tempo. AQUI você lê a noveleta no original.

P.S. Há também um filme baseado nesse livro. Vanessa Redgrave brilha nele. Ao contrário do filme O Coração é um caçador solitário, esse eu vi.

Guy, o cara

Guy Ritchie | Moviepilot.deGuy Ritchie fará 53 anos amanhã, dia 10 de setembro. Não, não é só ex-marido de Madonna, como muita gente acha. É um cineasta de primeira, que dirigiu três filmaços dignos de entrar em qualquer lista em que o sarcasmo, o deboche e a iconoclastia sejam prerrogativas. Quais são eles? Pela cronologia, Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, de 1998; Snacth – Porcos e diamantes, de 2000; e Rocknrolla, de 2008. Sem trocadilhos, Guy é “o cara”, que parece divertir-se ao contar histórias – afinal, em dois desses três filmes ele foi o roteirista. Pois é: sabe escrever.

Como a maioria das pessoas, assisti aos três filmes separadamente, em épocas distintas. Já tomei providências para assistir a eles, em sequência. Comprei os blu-rays, os quais devem chegar em poucos dias, para o deleite solitário de quem quer ver rock and roll em forma de película. Sim, o que Guy Ritchie faz, em minha humilde opinião, é música em forma de cinema. E música veloz, com mudanças de andamento, de vocalização grave, com a marcação paquidérmica da bateria, com guitarras gritando alto.

Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes | Uma Dose de Cinema

Meu preferido é justamente o primeiro: o arrebatador Jogos, Trapaças e dois canos fumegantes. Carregado de humor – um dos pontos fortes de Guy Ritchie -, o filme é uma homenagem às tramas norte-americanas que aliam gangsterismo a marginais um tanto ingênuos, mas ambiciosos porque a contravenção pode compensar, desde que bem pensada. Os dois ex-atletas Jason Stathan e Vinnie jones estão nele, assim como também se fazem presentes em Snatch – Porcos e diamantes. Bem, mas nesse quem brilha é Brad Pitt, boxeador cigano de um soco só. Ah, claro: Dennis Farina e Alan Ford fazem parte da grande festa.

Rocknrolla é o rock per si. Da trilha sonora à trama, envolvendo um cantor punk e drogadíssimo cujo pai adotivo é um gângster envolvido com bandidagem russa e com políticos corruptos. É outra festa, da qual fazem parte escroques, parasitas, mafiosos e, claro, advogados. A velocidade narrativa, os recursos fílmicos e as personagens cínicas fazem do filme um clássico recente, mesmo sendo o tema algo tão batido quanto um solo dos Ramones. E Mark Strong, Gerard Butler, Idris Elba, Tom Hardy e Toby Kebbell ainda não tinham sucesso mundial. Vale ver e rever, tenha certeza!

Filmes (re)vistos #7: Operação Dragão, 1973

Não se surpreenda: sou fã de Bruce Lee! Aliás, pouca gente de minha geração, que gosta de filmes de aventura, não o aprecia. Bruce Lee é o maior artista marcial que existiu e um dos três maiores bailarinos do cinema. Perde para Gene Kelly e para Fred Astaire – mas quem, neste mundo, não perde? Revi Operação Dragão semana passada, num canal fechado, e as lembranças de quando assisti ao filme pela primeira vez, no final dos anos 1970, encheram-me mais uma vez os olhos. É uma história bem contada – diferentemente da maioria dos filmes de artes marciais da época. Aliás, de qualquer época.

Estrelado por Bruce Lee, "Operação Dragão" vai ganhar reboot

Bruce é sensacional. Pula, voa (ou quase), estapeia, chuta, soca. Sem contar os uivos bem próprios dele, ao bater na malandragem. Não era grande coisa como ator, e nem precisava. O público – eu me incluo! – não estava ali para avaliar suas aptidões dramáticas, mas para vê-lo em ação em cenas coreografadas pelo próprio. Vê-lo lutar é como estar diante de um Nureyev oriental, descendo o malho em quem se opusesse a ele. E à justiça, claro, porque o herói está sempre do lado bom.

Operação Dragão é obra-prima do gênero. A história? Um grande campeonato de artes marciais, do outro lado do mundo, é o vetor para tráfico internacional de drogas. A personagem de Bruce vai até lá, bate em todo o mundo, mata o chefão e, evidentemente, desmonta o esquema. Está a serviço do governo paladino do mundo: o norte-americano. Bem, a película foi financiada pela Warner, que embutiu na história um de seus contratados: o sempre cínico John Saxon, bom de porrada também.

Jim Kelly acting alongside John Saxon discussing a lethal tournament held  on the deadly Han Islan | Enter the dragon, Jim kelly, Bruce lee

Não se pode esquecer de Jim Kelly, astro da Blaxploitation que, com a cabeleira black-power, dá um show particular. Ele e Saxon fazem uma grana extra apostando em si mesmos, nos confrontos com suas vítimas. É a parte bem humorada do filme – que, sinceramente, se você gosta de filmes de aventuras, com pancadaria estilizada, não deixe de assistir. Clássico do início ao fim.

AQUI, a sequência clássica do filme: “Tábuas não revidam!”

 

 

A única antologia, por enquanto

Vamos ao óbvio: só se deve enumerar um artigo se houver outros exemplares dele. Se for único, não faz sentido chamá-lo “primeiro”. Sim, falei algo dispensável, implícito em qualquer discurso. A editora Paz  e Terra, entretanto, pensa diferentemente. Aliás, sendo honesto: o problema não é da editora brasileira, mas da própria revista mundialmente conhecida e respeitada: The New York Review of Books. Vou explicar: em 1997, adquiri um livro que saía do forno: a edição brasileira de uma reunião de artigos publicados, por 30 anos, do citado veículo.

Se você que está lendo se interessa por cultura, arte, política, sociologia e uns nacos de filosofia vai apreciar a seleção de artigos feita por Robert Silvers, Barbara Epstein e Rea Hederman. Algumas perguntas iniciais devem ser feitas. Quem escreve? Sobre o que e sobre quem se escreve? Como se escreve? Esta última pergunta é fácil de responder: escreve-se bem. Alguns textos são absurdamente bem escritos – chega a dar inveja, ao menos a mim. As duas primeiras perguntas podem ser respondidas ao mesmo tempo.

Para se ter uma breve ideia: o crítico de arte Robert Hughes escreve sobre Andy Warhol; o poeta Wystan Auden versa sobre enxaquecas, enquanto o polêmico Gore Vidal fala sobre aviação em A Paixão de Voar. É um prazer saborear cada parágrafo da entrevista que o maestro Robert Craft faz com o sempre genial Igor Stravinski: o assunto é Beethoven e suas sinfonias. Richard Ellmann, claro, fala sobre Joyce, e meu texto preferido, Balzac aos trinta anos, é escrito pelo brilhante crítico inglês V. S. Pritchett.

Falei em preferência textual, mas é difícil escolher, dentre 23 artigos, qual o mais interessante. Eu não conheço uma revista literária com tamanha envergadura intelectual, capaz de abraçar tanto talento pontuando ideias que interessam não somente aos iniciados, mas a qualquer um que enxergue na boa leitura prazer e benefícios. Em tempos de boçalidade escrita e falada, de superficialidade de ideias, de enaltecimento dos medíocres, o New York Review of Books é um foco necessário de resistência.

Mulheres #9: Sônia Braga

Eu tenho 60 anos, de modo que o programa Vila Sésamo, que estreou em 1972, pegou-me já interessado em jogar futebol com os amigos e ir à escola – para jogar futebol também. Lembro-me, entretanto, de assistir a alguns episódios, e a imagem luminosa de Sônia Braga – que ainda não habitava meus assuntos – era eclipsada por uma ave gigante e desengonçada chamada Garibaldo. Um tempo depois, em 1975, já com 13 anos, Vi Sônia em Gabriela – e aí eu já a via com outros olhos. Abaixo, como Ana Maria, da citada vila:

Bem melhor como Gabriela, a sensual criatura de Jorge Amado. Não me recordo de, em telenovelas, nenhuma outra personagem feminina que tenha chacoalhado a libido da juventude com tanta potência. Pele, cabelos, sorriso, anatomia – tudo isso aliado à ideia de uma ingenuidade regionalista que, confundida com ignorância e submissão, expressa a exploração sexual de uma mulher. À parte análises mais complexas, observa-se a beleza de Sônia Braga, no esplendor dos seus 25 anos. Bem, há Dona Flor também, não é, seu Jorge?

Sônia Braga

E quem há de esquecer Solange, a esposa aventureira de A Dama do Lotação? Ou a prostituta Maria, de Eu te Amo? Ou ainda a virginal Marcina, da telenovela Saramandaia, que, excitada sexualmente, pegava fogo. Não, não é metáfora. Pegava fogo mesmo, e provocava queimaduras no sortudo que estivesse por perto.

Em 1984 Sônia Braga foi o combustível de que a Playboy precisava para decolar. Já havia aparecido na revista 6 anos antes, num suplemento especial que, infelizmente, não conheço. Mas posso imaginar. As fotos abaixo, da edição de quase 40 anos atrás, mostram a beleza mestiça de uma mulher que se tornou símbolo de uma época.

Sônia Braga - Gatas Peladas - Mulheres Gatas Peladas e Nuas

Sonia Braga Nude Fakes | SexiezPix Web Porn

Sônia foi clicada por Antônio Guerreiro, fotógrafo com quem esteve casada por 9 anos. Em breve, uma postagem sobre as fotografias deste que soube viver bem: entre mulheres bonitas, fotografando-as, privando com elas. Mas isso é papo para outra oportunidade. Fique com o clique do ex-marido:

Sônia Braga envelheceu da melhor maneira: mantém o sorriso refulgente, o olhar luminoso, que parece expressar a sabedoria acumulada. Num país em que mulheres se recusam a envelhecer – nenhuma censura nisso! -, ela assumiu os cabelos brancos, as rugas, o tempo que passou. Continua bela, como antes – e como sempre.

Sônia Braga vê sociedade carente de empatia na pandemia: 'O mundo está  louco'

Basquetebol & encontrões

Trailer mostra Adam Sandler em drama esportivo - Pipoca ModernaFilmes sobre esporte são especialidade dos americanos. Ninguém faz como eles, principalmente quando eles mostram a si mesmos como figuras heroicas cujos esforços desembocam na fama, no sucesso e, claro, naquilo que eles mais prezam: a grana. Assisti a Arremessando Alto, filme da Netflix em que Adam Sandler brilha como um olheiro de basquete que odeia futebol. O futebol inventando pelos ingleses e praticado em toda a superfície terrestre, aquele que eles chamam de soccer.

Não chega a ser um grande filme, já que há certa previsibilidade no desfecho, mas vale pelas cenas em que o esporte mostra-se tão vibrante quanto as vidas dos personagens que a ele se dedicam. É um espetáculo visual: voos, enterradas, jumps, passes, acrobacias, competição. Sim, sim: há um vilão no filme, em contraposição ao herói judeu Sandler. O embate entre eles se dá por meio da contratação – ou não – de um espetacular jogador espanhol de basquete de rua, descoberto por nosso herói. Nosso, não, deles. E do Philadelphia 76ers, o orgulho da Pensilvânia.

HUSTLE (2022) Movie Trailer 2: Down-on-his-luck Basketball Scout Adam Sandler Discovers a Star in Jeremiah Zagar's Film | FilmBook

Se você aprecia o esporte, se gosta de basquetebol – como eu, que joguei, mas sem muitas pretensões -, e assina Netflix, não deixe de ver. Adam Sandler não consegue (ainda bem!) destituir-se por completo da aura humorística que o tornou famoso, mas bem que tentou. Está bem no papel de olheiro humilhado por um chefão babaca-filhote-de-papai. O craque espanhol não é ator – é jogador profissional. Joga no Utah jazz e seu nome é Juancho Hernangómez. Sim, se você acompanha basquete, deve se lembrar dele jogando no Denver Nuggets.

Muitas informações sobre os bastidores do basquete são veiculadas de forma direta, sem qualquer maquiagem. Vários astros da NBA (jogadores e técnicos) aparecem no filme, interpretando a si mesmos. É uma festa, patrocinada pelos produtores Adam Sandler e LeBron James. Se você nunca ouviu falar neste último, certamente não gosta de bola ao cesto. A propósito: o título, em inglês, é Hustle – algo como choque, encontrão. Mas pode designar também alguém que seja obstinado. Bem, o resto você verá, se quiser.