Filmes (re)vistos #2: Clube dos Cafajestes, 1978

Críticos de cinema não gostam muito de comédias, embora reconheçam que Quanto mais Quente Melhor, de Billy Wilder, seja um dos grandes filmes já feitos. Como não sou crítico, eu gosto — e muito. E mais ainda dos filmes de John Landis, quando este se propõe fazer rir sem sequer passar perto dos recursos do slapstick, ou pastelão. John Landis fez, só para início de conversa, Os Irmãos Cara-de-Pau (The Blues Brothers, 1980) e Clube dos Cafajestes (National Lampoon’s Animal House, 1978). Poderia se aposentar com a certeza de dever cumprido. Ambos são protagonizados por John Belushi, o ator iconoclasta e anárquico que aporrinhava todo diretor com quem trabalhava. Com Landis, John Belushi comportou-se porque tinha um rival: o próprio Landis.

Escolho um para rever e comentar: Clube dos Cafajestes parece ser uma comédia para adolescentes — e é. Mas não para adolescentes que ouvem Jota Quest e passam horas e horas nas academias e de joelhos rezando para Youtubers sem graça e sem cérebro. Se você é um deles, esqueça. Tem de ouvir o Velvet Underground e gostar de dormir até tarde.

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O filme é sacana, despudorado, politicamente incorreto, debochado e esmaga sob o chinelo a própria adolescência que se preocupa em ser exemplo para a família. Daí se perceber que no filme ninguém presta — nem os estudantes certinhos que, em sua maioria, são rancorosos e egoístas. Belushi fala pouco — suas gags são físicas, seja no corpo, seja no rosto de sobrancelhas móveis como lagartixas. Donald Sutherland — um professor de literatura chatíssimo que fuma baseados diários — está impagável. A Festa da Toga — no fim da postagem, como aperitivo —, em que ninguém é de ninguém, é um dos grandes pontos altos de um filme feito para as alturas. Mas o bacana na película é o clima de guerra entre as fraternidades — o que já é uma contradição em termos. De um lado, os ajustados Ômegas; de outro, aqueles para quem eu torço: os Deltas. É o fraque contra o farrapo, e, no final, o farrapo sai ganhando — e, para sedimentar a vitória, destrói o desfile oficial da cidade.

Clube dos Cafajestes não pode passar na Sessão da Tarde. Há cenas consideradas desaconselháveis para menores — por isso ele é reprisado, de vez em quando, nesses corujões da Globo, durante as madrugadas insones. Não está na Netflix. Se estiver, não consegui achar. Se você dorme até tarde, é porque fica acordado durante toda a noite. Ou faça como eu: tenha o filme em casa, em blu-ray, recém comprado — é muito melhor. A propósito: se você não sabe quem é John Belushi, apresento-lhe:

John Belushi during Saturday Night Live's 'Weekend Update' skit on December 2, 1978 in New York.

AQUI, um aperitivo.

7 opiniões sobre “Filmes (re)vistos #2: Clube dos Cafajestes, 1978”

  • 21 de fevereiro de 2018 em 12:20
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    De fato é uma comédia para adolescentes, com algumas cenas bem bobinhas. Mas não deixa de tocar na ferida. É engraçado como as comédias para adolescentes hoje em dia estão pendendo para um lado mais “conto de fadas”, com um interesse exclusivo na receita das bilheterias. Não vou nem falar das comédias comerciais do cinema brasileiro.

    Talvez falte um pouco da atitude do John Belushi. Dia desses estava conversando com um amigo, homossexual, sobre a falta de atitude que a gente tem presenciado no cinema, música e afins, e ele fez uma piada que os homossexuais de hoje em dia não são os mesmos, que eles estão “muito gays”…há 30, 40 anos era a atitude “rock’n’roll” de Freddie Mercury e Elton John… hoje é o blasé do Pablo Vittar.

    P.S.: Apesar de ter morrido jovem, John Belushi fez bastante coisa legal. Estava na primeira formação do excelente – hoje nem tanto – Saturday Night Live.

    Grande abraço, Grijó.

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    • 22 de fevereiro de 2018 em 12:20
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      A onda do “politicamente correto” fez escola em todos os setores – até naquele que deveria combatê-lo: o humor.
      A atitude blasé dos homossexuais se dá, a jeu ver, por conta das aspirações comerciais. Homossexualidade, hoje, vende bem. Que bom! O sofrimento é aparentemente menorizado.
      Mas que preço se paga, culturalmente?

      Sou fã do Belushi há mais de 30 anos. Desde que vi aquele fiasco “1941”, do Spielberg. Até nesse filme ele está ótimo.
      Sim, o SNL não é mais o mesmo.
      Conhece isto?
      https://www.youtube.com/watch?v=aZsOyO_lXD8&list=RDaZsOyO_lXD8

      Abraço.

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      • 22 de fevereiro de 2018 em 23:05
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        Não conhecia, mas achei hilário e impagável haha. A expressão corporal do Belushi é sensacional, pegou todos os trejeitos e fez um Joe Cocker melhor que o original. A vida que ele dá às sobrancelhas dele é estranhamente cômico.

        Desconheço “1941”, vou conferir, apesar do seu julgamento como fiasco. Engraçado, pq tudo que o Spielberg toca vira ouro. Ou quase tudo… acho Poltergeist, por exemplo, um tanto quando descomedido. O último dele, por sinal, é muito bom. Vale a pena conferir, está em cartaz no Jardins: “The Post – A Guerra Secreta”. Direção, roteiro, atuação, fotografia, evolução. O filme encaixou.

        Abraço, Grijó!

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        • 24 de fevereiro de 2018 em 18:14
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          Ainda não vi. Verei em breve, se tudo correr bem.
          Gosto quando Spielberg resolve fazer filmes para adultos.
          A Cor Púrpura, por exemplo, é excelente.
          Abração.

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  • 24 de abril de 2018 em 08:14
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    John Belushi foi o maior iconoclasta da história do cinema.
    Um beatnick, um porralouca que foi vítima de si mesmo.
    R. I. P.

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    • 24 de abril de 2018 em 23:42
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      Não sei se foi o maior iconoclasta, porque o cinema está cheio deles. Mas foi um personagem dentro e fora dos filmes.Tornou-se lenda sem ter feito muitos filmes.

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  • 31 de julho de 2023 em 07:20
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    uma comédia maravilhosa
    john belushi hilário

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