Caetano Veloso é um dos grandes letristas da MPB – se não for o maior. E Chico Buarque? Meu xará, penso, é mais poeta, mais lírico, gênio absoluto. E quanto a Gilberto Gil? Um craque da metáfora, sem dúvidas, capaz de tecer analogias impensáveis entre termos aparentemente inconciliáveis. Outro gênio. Belchior, Noel e Aldir Blanc rivalizam com o baiano Caetano, mas em alguns momentos específicos. No todo, acho que Caetano leva vantagem. Mas – pergunta-me meu sexto ou sétimo leitor – para que comparar?
Muito se escreveu sobre Caetano, e incluo aí a biografia recente – Caetano, uma Biografia: A vida de Caetano Veloso, o Mais Doce Bárbaro dos Trópicos – que ele próprio considerou mal escrita. Ainda não li, mas lerei em breve (e escreverei sobre isso). E por falar no assunto, lá vai: você, leitor, conhece Evangelina Maffei? Eu também não conhecia, mas é uma argentina, alucinada por música brasileira, autora de um blogue/site pra lá de completo sobre Caetano. Caetano Veloso…en detalle. Muita coisa, e sobre tudo aquilo que o envolve: festivais, apresentações, biografia, agenda, encartes, textos, discos, entrevistas. É mais completo que o site oficial do compositor.
Sensacional para quem é fã e mais sensacional ainda para quem quer conhecer por que Caetano Veloso é quem é.
AQUI você pode se regozijar.
Gosto de Caetano. Dos discos mais.antigos.
Os discos de Caetano dos anos 70 são os melhores,assim como os de Chico Buarque, de Gilberto Gil, de Edu Lobo e de Belchior.
Fizeram algumas obras-primas nos anos 1980, mas coisas isoladas.
Mesmo assim, estão bem acima da média brasileira. Sempre.
qual é a diferença entre as músicas do Chico Buarque no século XX e Chico Buarque 2017 ( álbum “Caravanas”)?
Ainda não ouvi Caravanas, de modo que não posso (ainda) opinar.
Mas os discos do Chico nos anos 1970 – em especial “Construção”, “ChicoCanta”, “Meus Caros Amigos”, “Chico e Bethania”, “Chico Buarque” (aquele da samambaia) e “Ópera do Malandro” são o que há de melhor.
Assim que ouvir “Caravanas” te respondo.
Quem sou eu para discutir letra com você?
Mas, Caetano Veloso, na minha opinião, não é mesmo dos grandes letristas da MPB, muito menos o maior.
Chico Buarque e Gilberto Gil o deixam longe (aqui te digo que separo muito bem o artista da pessoa. Para mim, são o que há de pior como cidadãos e o que há de melhor como compositores de MPB. Caetano não tem qualquer obra que se compare a “Desalento”, na minha humilde opinião)
Isso sem colocar na mesa gigantes do quilate de Ary Barroso, Noel Rosa, Pixinguinha (deste, bastava “Rosa” para estilhaçar a obra de Caetano Veloso inteira), Cartola e por aí se vai.
Não gosto de Caetano Veloso, embora reconheça que ele tem algumas boas obras (como “Força Estranha”).
A sensação que tenho é que ele escreve muitas coisas sem qualquer sentido e se diz que aquilo é genial, sem mesmo se ter entendido o que ele quis dizer (aliás, tenho a nítida sensação que nem ele muitas vezes entende o que escreveu).
Claro que vc tem direito a uma opinião – e é bom quando se pode emiti-la.
Só não entendi a parte “Para mim, são o que há de pior como cidadãos”.
Chico e Gil?
Enfim, se vc puder explicar isso…fiquei curioso.
Noel era um ótimo letrista – de samba.
Pixinguinha fez poucos textos. Nem “Rosa”, sua obra-prima, é dele. É de Otávio de Sousa, amigo próximo, mecânico hidráulico. Há quem diga que é de Cândido das Neves, também amigo chegado, poeta rebuscado, meio cafona (como a letra de “Rosa”).
Ari Barroso era bom, mas penso que Caetano o supera. Enfim, é apenas uma opinião, claro.
Acho Chico mais lírico, como eu disse. Mas letra é com Caetano. Dê uma checada em “O Quereres”, “Rapte-me, Cameloa”, “Vaca Profana”, “Tigresa” e outras pérolas textuais.
Não estou falando de melodia (em que ele é ótimo, também). Nos textos o baiano é danado.
A única composição dele cujo texto não compreendo muito bem é “Qualquer Coisa”, afinal é justamente a isso que se presta a canção. Entenda como quiser. Entenda “qualquer coisa”!
Grande abraço.
Grijó,
Conheço bem essas músicas que você falou. Não consigo entender “Vaca Profana”.
“Tigresa”, sim, está entre as poucas que gosto dele – como te disse. Ainda gosto de “Queixa”.
Discordo que a letra de “Rosa” seja cafona, sabendo que é de um mecânico hidráulico então, tem valor redobrado. Aprendi hoje que um mecânico hidráulico (e não Pixinguinha) deixou Caetano no chinelo.
Acho que Chico Buarque e Gil o superam muito. Lógico, minha opinião de leigo em literatura. Chico Buarque tem entre suas obras aquela que considero uma das grandes da música brasileira – “Construção”. Gil é fera até em composições de menos destaque como “Drão”
Considero Caetano chato e talvez esteja realmente misturando o que é texto e o que é melodia, mas continuo sem entender grande parte do que escreve – e olha que já tentei muito.
Quanto a Chico e Gil serem o que tem de pior como cidadãos é uma grande decepção muito grande que se tem com pessoas que sempre pregaram uma determinada visão e, com o desenrolar de acontecimentos recentes, mantiveram apoio incondicional a muita coisa errada que aconteceu e continua acontecendo. Mas não vou entrar nessa seara, especialmente porque sei que nossas visões divergem muito nestes quesitos.
“Tu és divina e graciosa, estátua majestosa
Do amor, por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor de mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente aqui neste ambiente
De luz, formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração, junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz do arfante peito teu (…)”
Não acha cafona? Ok. Piegas, então. Em contrapartida, funciona magnificamente bem com a melodia – e aí se torna uma grande canção. Mas a letra continua cafona. É apenas uma opinião, claro.
Não vejo Caetano chato. Acho-o pedante, às vezes. Presunçoso, em outras tantas. Mas genial na maioria.
Chico é mais poeta. Caetano, letrista. Gil, os dois.
Quanto a questões políticas, aí a coisa entra de vez na seara da subjetividade plena, da fúria, do gosto pessoal, da possível intolerância à qual todos nós estamos aptos. Também prefiro não entrar nisso, embora compreenda as posições dos três.
Fico com a de Francisco, por conta do nome.
Grande abraço e obrigado pelos comentários.
Apareça sempre.
Recomendo a leitura da Biografia do Caetano. Muito detalhada e abrangente. Imperdível para quem é fã e também que gosta de música popular brasileira.
Estou lendo.
Sou obrigado a concordar com Caetano sobre algumas passagens mal escritas. Mas é um ótimo documento. A pesquisa foi bem feita.
Muito obrigada!!! Um abraco desde Buenos Aires…
Seu blogue é fantástico.
Parabéns!
Grande Grijó,
É muito interessante ver a relação do Mundo com a nossa música: eles nos amam. Acho que o próprio Caetano diria que ” eles nos acham lindos”. Em minha viagens pela América do Sul , principalmente no Chile e na Argentina, vi que é bem comum ligar o rádio e escutar bossa nova e mpb, e é muito comum entrar em uma loja de discos e encontrar cds brasileiros em posições de destaque.
Dia desses eu vi a entrevista de uma integrante de uma banda de relativo sucesso: Of Monters and Man. A moça estava dando a entrevista em português. Perguntaram pra ela se ela já morou aqui, tem conhecidos aqui, etc, etc. Ela disse que não, que estudava música brasileira na faculdade de música e ficou apaixonada, e quis aprender português. Detalhe: a moça é da Islândia.
Sim, a música brasileira, principalmente a instrumental, carregada de influências, misturada, tropicalista, universal, é bem vista no exterior. É só voltar um pouco no tempo e ver o que a Bossa Nova fez nos EUA no começo dos anos 60, quando, por aqui, já estava decadente. O rock (iê iê iê já dava as cartas, alicerçado por uma perversa escolha da indústria fonográfica incipiente brasileira) mandava e desmandava.
A música brasileira nada mais é que África + Caribe + Portugal + talento + engenhosidade. Dá no que dá.
Dia desses ouvi um jornalista britânico dizer que os ingleses apreciam Pelé e música brasileira. É o que conta para eles.
Apareça sempre, George. Seus comentários valem um bocado.
Grijó
Seu disco favorito de Caetano é Bicho, certo? Gosto mais de Cores, Nomes.
Valeu o post, mestre.
Um abraço!
Acho “Bicho” a maturidade de Caetano, junto com “Muito”, que é outro grande disco.
“Cores Nomes” tem “Ele me deu um beijo na boca”, o que já o torna muito bom.