Perguntaram-me hoje – como se não já soubessem! – em quem eu votarei no 2º turno. Num determinado momento, naquela fração de tempo mínima, que pode nos levar ao desespero ou ao paraíso, cheguei a me sentir ofendido por alguém me questionar isso. A ofensa passou tão rápido quanto veio. Eu sou um homem de ideias. Sou professor há 38 anos, sou escritor publicado desde 1987, com vários livros no currículo, estou secretário de Cultura da capital, sustento minha família com meu saber literário e gramatical, que levo a meus alunos de forma sempre honesta mas nem sempre mui bem recebida (por eles). Isso sem falar na gestão de políticas públicas para a cidade.
Sendo eu um homem de ideias, tenho de me identificar com quem as possui, mesmo que destoem do que penso e profiro. Em bom vernáculo: para que as ideias de outrem não combinem com as minhas, é necessário, primeiro, que esse outrem tenha ideias. Se não as tem, não admito, em minha humilde prática intelectual, sequer entabular diálogo. Sim, por isso voto em Fernando Haddad, mesmo que em alguns pontos não concordemos. Como aventar a possibilidade de votar em alguém que, sem condições de discutir ideias, puxa uma arma, saca um revólver? Como alguém afirma que vou pelo caminho errado se não ouve meus argumentos, não me permite expressão?
Minha arma sempre foi a linguagem, os códigos, as metáforas, a língua, a literatura, a arte. Aquele que possuir um mínimo de sensibilidade nessa área me é simpático, tem meu voto. Alguns amigos (nenhum deles atuando em minha área) disseram-me que eu, como professor, não deveria revelar meu voto. Em outras palavras: ser professor anula minha cidadania, meu direito à expressão. Posso falar de José de Alencar, de Euclides da Cunha e de orações subordinadas, mas não posso dizer, onde quer que eu esteja, que voto em Fernando Haddad. É isso mesmo? E aqui, no meu blogue, posso?

Sinto-me feliz de ver gente que sempre admirei pensando como eu. De certa forma, é um alento, um consolo, quase como tapinha de pai nas costas depois que eu acertava a lição de casa. Serve-me, também, pra lembrar que ideias são à prova de balas, e que se eu precisar lutar uma boa luta, que seja com bons companheiros ao lado.
Avante, porque, seja qual o resultado, a partir de segunda teremos um grande trabalho a fazer.
Abraços, mestre.
Há um ditado, Rafaela, que sempre me acompanha, e com o qual concordo em absoluto:
Quando o discípulo não supera o mestre, quem errou foi o mestre!
Eu não errei com vc.
Valeu!
Identificação total.
Disponho de armas semelhantes e as coloco à disposição pra fluidez das ideias.
Disso eu sei há 25 anos, caro amigo!
Belíssimo texto, Grijó!
Obrigada!
Sobre esta segunda, quando não seremos mais os mesmos, nenhum de nós brasileiros, eu serei oposição ao meu próprio voto, ou inteiramente resistência!
Bom saber que, nesta última, terei pares tão respeitáveis!
Vamos em frente, mesmo que o país retroceda.
Abraços!
Fico feliz em saber que o professor que sempre admirei,está ao lado da democracia e do povo brasileiro sem distinções! Obrigada por fazer valer a admiração que tenho por ti. Como professor,escritor,secretário da cultura e com certeza como cidadão! E continue postando em seu blog sim,é o único que leio. Ah! E poste no Twitter também,não tenho conta registrada lá,mas o seu Twitter e Blog estão na minha barra de favoritos! Um grande abraço da sua eterna aluna e admiradora Ryanne!
Obrigado, Ryanne.
Vamos em frente, sempre, mesmo quando tudo parece retroceder.