Para quem acha que Netflix é apenas entretenimento, aí vai a contradição: o documentário Quincy, sobre um dos maiores – senão o maior – produtores musicais de toda a indústria do disco. Seu nome completo: Quincy Delight Jones – ou Quincy Jones, para quem é fã de boa música. Trompetista de finíssimo trato, arranjador maiúsculo, compositor de primeiríssima e produtor de pelo menos dois dos maiores artistas do século XX: Michael Jackson e Frank Sinatra. Quer mais? Foi ele quem encabeçou alguns dos grandes momentos de nossa época: a gravação de We Are the World, em janeiro de 1985. Sob sua regência, 45 cantores e cantores entoaram um hino cujo objetivo era arrecadar fundos para o combate à fome na África.
E o outro momento? O show de inauguração do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, talvez o mais emblemático e atual ícone do movimento negro nas Américas. Quincy Jones, à frente do projeto, foi o responsável por arregimentar figuras fundamentais e representativas para a sociedade afro-americana. sem ele, o ex-secretário de estado Colin Powell e a apresentadora e atriz Oprah Winfrey teriam assistido ao evento pela tevê. Isso fica, aliás, claro no documentário. Quincy Jones era um furacão, um líder absoluto para quem os grandes astros não se atreviam a dizer não.

A maioria dos excelentes discos de Quincy Jones não são aqueles em que ele mete a boca no trompete. As pérolas que ele deixou para quem gosta de boa música mostram o que ele conseguia fazer como arranjador e orquestrador. Um dos maiores, em qualquer gênero – o que, aliás, era o que ele apreciava fazer: capaz de misturas tão efervescentes quanto inusitadas, o maestro criava universos que dialogavam com todos os gostos. Da balada ao jazz, do rock ao erudito.
Um exemplo? O disco abaixo, gravado há 53 anos, é uma reunião de temas que, aparentemente, nada têm em comum: da dupla Jagger/ Richards ao grande compositor Burt Bacharach, do clássico Blues in The Night, de Arlen/Mercer, a duas canções do brasileiro Luiz Bonfá (de quem Quincy era fã), passando pelo poderoso jazz de Cannonball Adderley e pelo ultraclássico Mack the Knife, tudo isso está AQUI, brilhando com sua luz acesa. Não deixe de ouvir.

Se puder, assista ao documentário. É nele que se descobre o homem Quincy, tão próximo do artista quanto possível. Fala-se das suas relações familiares, das ex-mulheres (curiosamente, a atriz Nastassja Kinski, mãe de uma de suas filhas, aparece por 2 segundos apenas), do trato com grandes artistas, do namoro com o hip hop, da consciência do que era (e ainda é) ser um negro nos Estados Unidos. Quincy Jones firmou-se por sua arte. É um exemplo que fica para sempre, de um artista que levou às últimas consequências seu talento, sua força e seu objetivo: apresentar a nós o que é a música.
Bem frisado no terceiro parágrafo o gosto – e competência- do Quincy Jones para misturar coisas, aparentemente, excêntricas.
Foi ele que produziu a série The Fresh Prince of Bel-Air (Um Maluco no Pedaço) que praticamente retirou Will Smith do mundo do rap e o introduziu em Hollywood. Uma decisão acertada ao meu ver, acho Will Smith um bom ator.
Segue um relato do próprio Smith contando como Quincy Jones o transformou de rapper falido a protagonista em uma série de sucesso, sem nunca ter atuado antes:
https://www.youtube.com/watch?v=y_WoOYybCro
Não sei se isso era recorrente em suas produções, mas Quincy estava bêbado no referido momento haha.
Ele viveu uma vida errática, no sentido etílico da coisa.
Valeu a colaboração enriquecedora!
Grijó,
De Quincy, gosto também do clássico Big Band Bossa Nova. Soul Bossa Nova, que maravilha. Valeu, mestre.
Um abraço.
Também gosto.
Aliás, do que conheço gosto.
Pingback: Celso
Tenho esse também. Discaço, orquestrado ao extremo.
Um bom dia ao mestre Grijó aí no Brasil.
Passando para felicitá-lo por mais esse texto. Seu blog é uma descoberta literária e artística que dá gosto cada texto.
Salutjes.
Uedison Pereira
Obrigado, meu camarada escritor.
Agradeço suas palavras.
Volte sempre.