Dadá: uma leitura em progresso

A ideia de vanguarda agrada a quase todos. É a inovação, a rebeldia contra o marasmo, a transgressão: agrada, grosso modo, à juventude inquieta, vibrante, na ponta do processo que, inevitavelmente, adere a essa ideia. O destino é quase sempre o mesmo: ser ultrapassada por um outro movimento avant-garde, que tornará aquele tão obsoleto quanto, hoje, um telefone discado. Ainda se estudam os futuristas, os cubistas, os fauvistas, os expressionistas e, claro, cultuam-se os surrealistas, apoiados por Freud e por Trotsky, dois poderosíssimos ícones culturais e políticos. E quanto aos dadaístas?

Pois é. Estou lendo Dadá: arte e antiarte, do pintor-biógrafo-artista gráfico Hans Richter. É biografia de peso, responsável, e escrita por quem participou de tudo, in loco. Hans Richter foi dadaísta, mas não roubava a cena. Hugo Ball e Tristan Tzara, sim. Se você sempre achou que o movimento dadaísta era uma zona sem precedentes, quase acertou. Eu disse quase porque os membros do clube eram figuras notáveis, com propósitos robustos no que dizia respeito à concepção artística e a sua transgressão. Sabiam que a rotulagem limitava a arte, assim como sabiam que a participação ativa do artista era constante — antes, durante e depois da obra pronta.

Eu disse pronta? Para muitos deles, o processo de construção artística — na literatura, na pintura e na escultura — era contínuo. As reuniões dadá, em Nova Iorque e Zurique, deram origem a tudo. No Cabaret Voltaire, cenário preferido da rapaziada, templo dadaísta por excelência, chegava-se à conclusão de que a Guerra havia fragmentado o homem e o ambiente. Como não expressar essa fragmentação? E se a destruição vinha de fora, por que não vir de dentro? Essa destruição, claro, tinha limite. Criar era necessário, mas confrontar o tradicionalismo e a rigidez acadêmica era mais ainda.

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A irracionalidade, aliada solidamente ao sentimentalismo, era a marca dadaísta — assim como era fundamental que as performances (principalmente a leitura de poemas e apresentações de telas) faziam parte da criação. Sem a participação efetiva do artista, a obra perdia-se, tinha menos representatividade. Cidades importantes tornaram-se palco dos dadaístas: Madri, Berlim, Paris, além das citadas Nova Iorque e Zurique. Escrever sobre um livro cuja leitura ainda não se finalizou é sempre arriscado. Não é isso, entretanto, o que o dadaísmo propõe? Na foto acrobática acima (da esq. para a dir.), Hans Arp, Tristan Tzara e Hans Richter: 3 ícones do movimento, correndo riscos.

4 opiniões sobre “Dadá: uma leitura em progresso”

  • 11 de novembro de 2025 em 10:12
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    Está na hora de ressuscitar o dadaísmo

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  • 12 de novembro de 2025 em 05:04
    Permalink

    Ante o absurdo, o ilógico, a loucura e o irracional da vida, sempre teremos Dadá na Arte!

    Resposta

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